Já noticiamos aqui na Autoesporte que os carros elétricos vendidos no Brasil acabaram de passar por uma padronização na divulgação da autonomia. Os números são cerca de 30% mais baixos do que as fabricantes costumavam anunciar. Porém, não houve qualquer mudança nas baterias ou tecnologia dos veículos.
O que mudou foi a maneira de aferição. A partir de agora, todas as marcas devem seguir o padrão adotado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) que, por sua vez, utiliza a norma norte-americana de medição (veja abaixo a explicação para a alteração).
Com a tabela 2023 divulgada, trazemos aqui a autonomia atual de todos os carros elétricos homologados pelo Inmetro, além do valor anterior.
Até o ano passado, cada fabricante divulgava a autonomia dos veículos de acordo com o um padrão. A grande maioria adotava o WLTP, o mais usado na Europa, que mescla testes de laboratório de de rodagem nas ruas. Algumas ainda optavam pelo ciclo chinês – o mais otimista de todos, com alcances maiores.
Outras preferiam a regra norte-americana EPA, mais próxima à realidade e a escolhida para ser replicada pelo Inmetro. A questão é que ainda há diferença na autonomia de modelos testados pelo padrão dos Estados Unidos.
O Inmetro explica que a EPA “fornece aos fabricantes três métodos para avaliação em veículos elétricos“. Para o Brasil, o órgão escolheu um padrão com “custos e prazos para a realização dos ensaios e obtenção dos resultados mais adequados à realidade brasileira, bem como para garantir a uniformidade do método de apresentação dos dados”.
Assim, há diferenças consideráveis. O Audi e-tron Sportback testado nos Estados Unidos, por exemplo, tem autonomia de 341 km de acordo com o ciclo EPA. Já a versão homologada para o Brasil traz alcance 26,1% menor, de 252 km.
A maior alteração nos dados é encontrada no Porsche Taycan 4S. No teste norte-americano, o alcance é de 378 km. Já no Brasil, autonomia é 36,3% menor, de apenas 241 km.
De todo modo, o Inmetro afirma que essa mudança tem sido discutida com as fabricantes desde 2020 e explica que a medida foi tomada para aproximar a autonomia anunciada com a que o motorista pode conseguir na vida real.
Henry Joseph Jr., diretor técnico da Anfavea, a associação das fabricantes, diz que todos os testes de consumo de combustível (e autonomia, no caso dos elétricos) são feitos em laboratórios com condições controladas, em um cenário otimista diante das situações cotidianas de uso dos veículos.
“Nos Estados Unidos, há algum tempo, eles observaram que os testes levavam a valores muito bons quando comparados ao uso real, na rua. Essa diferença acabou sendo bastante discutida. Então, criaram um fator de deflação para vários tipos de veículo. Assim, é aplicada a deflação sobre o valor obtido no laboratório. Quando o consumidor pega o consumo de combustível de km/l, o valor da etiqueta é muito próximo ao que ele vai aferir no uso real”, afirma.
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Fonte: direitonews






