“O ‘vácuo de soberania’ ocorre porque aplicamos o obsoleto Código de Mineração de 1967 para elementos de altíssima criticidade tecnológica do século XXI. Sem um marco legal específico e robusto, o mercado opera em regime de laissez-faire, permitindo o avanço do ‘control grabbing’, a captura do controle estratégico”, explica.
“A legislação nacional neste quesito precisa exigir concessões com contrapartidas rígidas, com diretrizes econômicas e socioambientais claras e no interesse nacional brasileiro. Se uma potência quer nossas terras raras, ela deve ser obrigada por lei a instalar a planta de separação e refino no território brasileiro.”
Brechas jurídicas deixam terras raras à mercê de estrangeiros
“Na prática, basta que um fundo estrangeiro abra um CNPJ no Brasil para acessar outorgas de mineração e atrelar a produção futura a contratos blindados no exterior. O STF protegeu a superfície, mas o Legislativo e o Executivo ainda deixam o subsolo estratégico do século XXI à mercê do mercado internacional“, observa Peixoto.
“A história e a economia provam que a simples exportação primária é uma falácia de desenvolvimento: o minério sai, a riqueza evapora e o crescimento prometido não se difunde localmente. A Constituição de 1988, em seu artigo 219, define o mercado interno como um patrimônio nacional e exige a busca pela autonomia tecnológica e pelo desenvolvimento do Brasil.”
O paradoxo das terras raras
“Alguns estudos demonstram que a exportação de recursos naturais para a China é altamente intensiva em carbono, gerando quase 2 quilos de poluição para cada dólar exportado. Ou seja, a cadeia que promete ‘limpar’ o mundo, na sua base de extração, é extremamente poluente”, pondera.
“No caso de terras raras, o processo de separação usa agentes químicos pesadíssimos e frequentemente lida com rejeitos radioativos, como tório e urânio. A literatura especializada e estudos de organizações atuantes nesta pauta já classificam esses impactos como graves violações de direitos humanos. O Brasil tem cicatrizes abertas recentes, como os desastres de Mariana e Brumadinho, que mostram o risco fatal de uma mineração pautada pela maximização da exportação bruta e por licenciamentos ambientais flexibilizados.”
Fonte: sputniknewsbrasil







