Gasolina vai faltar? Preço subiu? Entenda crise dos combustíveis no Brasil


O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã se estende há quase duas semanas, causando a variação no preço internacional do barril do petróleo em março. Nesta sexta-feira (13), o preço do barril voltou a superar os US$ 100 (R$ 515, na cotação do dia). Sendo esta uma das commodities mais importantes para qualquer país, desenvolvido ou não, o temor sobre um possível desabastecimento segue alardeando o mundo — incluindo o Brasil.

Algumas regiões do país, especialmente a Centro-Oeste, já registram preços acima do normal nesta semana. O termo “falta de gasolina” teve aumento de 4.600% nas buscas do Google, o que reflete o temor do brasileiro a respeito de um possível período de escassez. Há risco de faltar gasolina e diesel nos postos? Os preços vão subir ao longo dos próximos dias?

Autoesporte conversou com André Braz, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e Alexandre Chaia, economista e professor de finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), para entender sobre o risco de desabastecimento e a tendência de alta dos preços nas próximas semanas.

Embora as buscas online demonstrem o temor da população quanto ao desabastecimento, os especialistas concordam que não há indícios de que faltará gasolina no Brasil, mesmo com o conflito se prolongando no Oriente Médio.

“Não vejo risco de desabastecimento como consequência da guerra. É um período de incerteza, e alguns postos podem estar segurando [o combustível] para vender mais caro”, concordou Alexandre Chaia, do Insper. “[Mesmo] Se a guerra continuar como está, não vejo a possibilidade de faltar gasolina”.

No entanto, os especialistas concordam que existe um risco substancial da gasolina ficar mais cara no Brasil ao longo das próximas semanas. Isso está atrelado ao valor internacional do barril do petróleo — que saltou de US$ 70 para até US$ 120 desde a última sexta-feira (6). Como o Brasil importa a matéria prima para a produção de gasolina, o mercado interno pode sofrer com a variação.

A possibilidade existe, ainda que a Petrobras não tenha reajustado o valor da gasolina. Já o diesel terá redução de R$ 0,64 pelo litro nas refinarias a partir deste sábado (14), graças a uma Medida Provisória que zerou o PIS/Cofins. Embora o desabastecimento não seja tangível, mesmo com a guerra se prolongando, os economistas consultados por Autoesporte concordam que o preço da gasolina pode aumentar. O governo brasileiro já monitora a variação internacional do barril do petróleo e vem concedendo subsídios a importadores.

De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), há disparidade de 38% no preço da gasolina praticado no Brasil em comparação com o exterior. Para o diesel, a diferença chega a 62%.

“O petróleo é um produto muito importante para qualquer nação, emergente ou desenvolvida. Nossa indústria de gasolina visa um consumo predominantemente familiar, e pesa muito no orçamento […]. O governo faz o que pode para mitigar a alta nos preços”, disse Braz.

Inclusive, o aumento no preço da gasolina é uma característica que, impreterivelmente, reduz o risco de desabastecimento. É o que apontou o especialista da FGV: “Se a gasolina ficar muito mais cara, as pessoas vão repensar o uso do carro. Passam a utilizar metrô, ônibus ou caronas com amigos […]. Este encarecimento deve brecar a própria demanda, o que ajuda a conter uma eventual escassez”.

A Petrobras não atualizou o preço médio da gasolina, que se manteve posicionado em R$ 6,30 no país. Todavia, postos de diversas regiões já praticam valores mais altos desde o início desta semana.

É o caso do Rio de Janeiro (RJ), onde o preço saltou de R$ 5,99 para R$ 6,19. Em Brasília (DF), a gasolina teve seu preço reajustado de R$ 6,48 para R$ 6,69. Quanto ao diesel, o valor praticado em um posto de Santo André (SP) saltou de R$ 5,62 para R$ 7,19 em menos de uma semana. Estes são alguns dos relatos de leitores da Autoesporte no Instagram.

A Petrobras indica que a gasolina tem preço médio de R$ 6,30 em território nacional nesta semana. Na subdivisão que compõe o valor, 28,6% correspondem à parcela da Petrobras, 20,2% vão para distribuição e revenda, 24,9% são impostos estaduais, 15,6% representam custos do etanol anidro e 10,8% são coletados como impostos federais.

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Fonte: direitonews

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