De acordo com a publicação, a análise de radiocarbono do revestimento têxtil, milagrosamente preservado dentro das carcaças de ferro dos capacetes, aponta para o período do final do século XIV ao início do século XV, época em que a costa de Valência foi submetida a ataques marítimos, incursões de milícias locais e aumento da pressão militar.
Essa descoberta é incomum não só por causa dos capacetes em si, mas também pelo que foi preservado dentro deles. Devido à corrosão, os capacetes de ferro fundiram-se em uma única massa endurecida de ferro, sedimentos e depósitos de carbonato, que por muito tempo enterrou as peças de estofamento de tecido dentro deles.

Capacetes encontrados perto de Benicarló, na costa leste da Espanha
Graças a esses fragmentos, os pesquisadores determinaram que os capacetes, encontrados ainda em 1990 no local subaquático de Piedras de la Barbada, ao largo da costa de Castellón, no leste da Espanha, têm uma idade muito menor do que se pensava anteriormente.
A datação por radiocarbono mostrou que as armaduras datam do final do século XV ao início do século XVII, o que as exclui da cultura romana.

Microfotografias de têxteis e sedimentos marinhos encontrados em capacetes perto de Benicarló
“Muito provavelmente, estes eram capacetes práticos para infantaria não pertencente à elite, provavelmente fabricados antes que a produção de armaduras europeias se tornasse mais padronizada no século XV”, diz a publicação.
Os pesquisadores sugeriram que os capacetes, que têm concepção simples, dimensões compactas e formas repetitivas, poderiam ter sido usados por soldados comuns que defendiam Valência em meados do século XIV, quando a cidade estava sujeita a ataques de piratas.
Os arqueólogos ainda precisam comprovar isso, mas, por enquanto, a conquista é que, graças às propriedades físico-químicas dos metais corrosivos, cientistas armados com tecnologias modernas conseguiram analisar os materiais milagrosamente preservados e estabelecer a idade dos achados.
Fonte: sputniknewsbrasil








