“Ficou muito claro que as pautas que estavam naquele momento eram de intervenção militar, recontagem de votos, anulação da eleição. Então, sim, tinha uma pauta antidemocrática, que para 40% dos policiais [entrevistados] não é um problema ou não é vista como algo não legítimo. Esse é um dado que preocupa, mas infelizmente não surpreende”, destaca a pesquisadora.
“Falta educação política no Brasil. Afinal de contas, o papel da democracia é fazer com que grupos heterogêneos, que pensam diferente, consigam promover uma alternância de poder. À medida que se tomam ações truculentas, como as vistas no dia 8 de janeiro, isso demonstra que não há uma cultura democrática política. Era o mínimo que se esperava de qualquer país civilizado, que se possa fazer com que o vencedor respeite o derrotado e o derrotado aceite o vencedor.”
Partidarização das forças de segurança torna necessária uma nova corporação?
“Porque esse artigo [142] implica no desdobramento de forças militares e a sua disposição para nomeação de um general, que passaria a comandar as forças policiais de Brasília, em um momento em que não se tinha confiança nos comandos herdados da época bolsonarista”, destaca Teixeira.
“A ideia central é dotar a República, o Ministério da Justiça de um braço armado, que possa proteger as instituições. Obviamente a Secretaria de Segurança Pública […] [do Distrito Federal] não gosta disso, porque vai ter que dividir os recursos, já que a PM […] [do Distrito Federal] é sustentada pelo governo federal, e não só não cumpriu sua função como conspirou, fez uma sedição.”
“Isso é um fato que escapa ao Exército de ter o monopólio da violência armada, porque o Exército tem direito de inspetoria sobre as PMs. Essa nova força com o controle civil estaria fora do controle das Forças Armadas. O que, sem dúvida nenhuma, contraria muito a tradição brasileira e os interesses de monopólio da violência legal exercida pelo Estado, que está, até agora, nas mãos das Forças Armadas.”
Criação da Guarda Nacional deve implicar no fim da Força Nacional
“Essa Guarda Nacional se justifica à medida que ela pode ser uma força não só para a proteção de patrimônio federal em Brasília, mas também […] um auxílio importante aos estados quando houver greve das polícias, crises mais graves da segurança pública” diz Sapori, acrescentando que a Guarda Nacional evitaria o acionamento do Exército em situações de GLO.
“Não faz sentido criar a Guarda Nacional e manter a Força Nacional de Segurança Pública, porque aí sim elas teriam competências concorrentes. Ela [a Guarda Nacional] seria muito mais estruturada do que a própria Força Nacional. O modelo da Força Nacional é um modelo equivocado desde o início, nunca funcionou. A Força Nacional sempre foi uma ficção.”
“Se essa Guarda Nacional for criada com a manutenção da Força Nacional, aí sim seria um equívoco, duplicação de esforços, duplicação de recursos. Então cria-se a Guarda [Nacional] e extingue-se a Força Nacional, que não tem quadros permanentes, não tem estrutura permanente. A Força Nacional paga diárias para policiais militares recrutados dos estados, é um modelo anacrônico de organização, de força pública.”
Fonte: sputniknewsbrasil






