“Poucos são os municípios com legislação adequada para uso das áreas mapeadas”, observa.
“Isso é um enorme desafio aos gestores públicos municipais. A ocupação na maior parte das vezes ocorre fora do quadro legal, ou, quando está dentro, há contestação do mapeamento ou conflito na liberação da ocupação. O problema torna-se complexo”, declara.
“Avisos meteorológicos são importantes, mas insuficientes devido à baixa confiabilidade, em função do tempo de antecipação com que ocorrem. Equipamentos como radares meteorológicos precisam ser melhor utilizados, associados à rede de pluviógrafos [que medem a intensidade de chuva em cada região], ligados à rede de comunicação telemétrica [que envia informações em tempo real sobre o volume de chuvas que caem em uma determinada região ou nível e dos rios]”, afirma Pinheiro.
“As medidas estruturais requerem grande volume de recursos financeiros, e poucas têm sido executadas. E quando são executadas, são comunicadas como solucionando o problema. No entanto as medidas estruturais têm efeitos limitados, gerando falsa sensação de segurança”, analisa.
“Assim, novos governos precisam planejar as diversas ações, além da resposta imediata durante e imediatamente após a ocorrência dos eventos catastróficos. Ou seja, realizar investimentos ao longo de seus mandatos dando continuidade às ações dos governos anteriores e deixando projetos para os governos seguintes.”
“No entanto entendo que as medidas não estruturais são mais baratas e mais fáceis de serem implantadas e deveriam ser priorizadas pelos gestores públicos. Prometer grandes obras sem recursos para financiá-las gera o agravamento do problema. Há a necessidade de efetividade das ações planejadas. Legislações precisam ser atendidas por todos, em especial no uso e ocupação do solo das áreas suscetíveis a inundações, alagamentos ou escorregamento de encostas”, finaliza.
Fonte: sputniknewsbrasil






