“Como a Colômbia tem muitos rios navegáveis, tanto o Estado quanto grupos dissidentes os controlam em diferentes partes, e isso muda a cada momento. Embora o governo reconquiste partes dos rios, os dissidentes seguem avançando para estabelecer seu comércio no Caribe e no Pacífico e para outros países da América Latina, como Peru, Brasil e Venezuela”, disse.
“Nos rios com maior navegação de comércio, o governo colombiano tem maior controle. Já os rios com afluentes que levam para o interior são mais dominados por grupos dissidentes pela dificuldade de ingressar nesses rios em comunidades pequenas e isoladas. Então, o governo precisa investir para exercer a sua soberania nesses rios”, comenta.
“Esse debate relacionado à questão fluvial na Colômbia é histórico. Durante muitos períodos, houve conflitos e disputas por territórios que eram de importância agrícola. Isso ocorre porque o país, marcado por montanhas e uma geografia muito específica, é propício para rotas de fuga e para a dominação em determinados contextos”, disserta.
Batalhas em águas marrons e novos meios de Defesa
“Hoje em dia, há uma batalha nas águas marrons na Colômbia. Esse conflito é tão importante, tão sério, que a Marinha da Colômbia se especializou nesse tipo de combate e exporta tanto doutrina quanto tecnologia, para que outros países tenham capacidade de exercer seu controle em rios”, destaca.
“O grupo dissidente principal é o ELN. Porém, as FARC em si não existem mais. Surgiram muitos grupos dissidentes, e muitos deles, sem nome, a partir disso. Então, por isso ‘grupos dissidentes’ é um termo que abrange mais esses grupos, que continuam agindo e atuando no território colombiano”, elucida.
“Na atualidade, o controle das rotas fluviais tem sido fragmentado e varia a cada região. Em áreas mais próximas de grandes centros, por exemplo, há bases militares e o Estado consegue até manter um controle estatal, mas em regiões periféricas, especialmente na parte da Amazônia colombiana e do Pacífico colombiano, há uma disputa com esses grupos desde os anos 70 e 80″, pontua.
Conflito fluvial colombiano pode escalar na região
“Essa situação pode transbordar para outros países da região, e isso demonstra a necessidade de se ter uma cooperação hemisférica e continental, para que os países consigam lidar com essa ameaça. Esses grupos podem migrar [para outros territórios] para manter suas economias ilícitas em outros países, como no Peru e no Brasil, porque têm essa capacidade de atuar em rios”, destaca.
“A tecnologia que o Estado colombiano tem para combater também chega a grupos paramilitares, guerrilheiros e narcotraficantes, que antes usavam emboscadas por conhecerem o território e agora usam drones de monitoramento e ataque. Isso aproxima o conflito colombiano de outros em escala macro e micro. Por exemplo, na operação no Complexo do Alemão (RJ), houve uso de drones por narcotraficantes”, conclui.
Fonte: sputniknewsbrasil









