Presidente de Timor-Leste compara papel da China no Sul Global com o da URSS no século XX


O líder de Timor-Leste falou no domingo (4) no fórum de segurança da região da Ásia-Pacífico, Diálogo de Shangri-La, em Cingapura.

“No início dos anos 90, conheci […] um jovem diplomata da Somália. Conversamos muito sobre os problemas que estavam preocupando o mundo na época. Ele me disse: ‘Olha, a União Soviética entrou em colapso e não temos ninguém a quem recorrer para obter ajuda real agora'”, contou Ramos-Horta na cúpula.

Ele disse que, durante a época da União Soviética, os países ocidentais apenas “davam palestras sobre direitos humanos e se recusavam a ajudar”, mas eles podiam se dirigir a Moscou e conseguir ajuda.
“‘Agora estamos sozinhos, não temos ninguém a quem recorrer, ninguém para nos ajudar’, disse-me esse diplomata na época”, continuou ele, observando que isso não se referia apenas à Somália, mas ao Sul Global, cujo desenvolvimento foi muito afetado pelo colapso da URSS.
Soldados dos EUA durante exercício militar na Coreia do Sul - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2023

Avaliando a situação atual do Sul Global como pobre, Ramos-Horta observou que, sem assistência externa, muitos países da região correm o risco de cair na pobreza e no caos, enquanto os países do Norte continuam a enriquecer, mas não fornecem assistência suficiente ao Sul Global em questões cruciais, como a garantia de acesso à água potável, a crise de segurança alimentar nesses países, a saúde e a educação, para as quais o Sul Global não tem recursos próprios.

“Se voltarmos a 2023, veremos que a China é agora uma potência mundial e um ímã para o Sul Global. Não vejo meu amigo somali há muito tempo, mas ele provavelmente diria o seguinte hoje: ‘Agora não estamos sozinhos. Agora estamos indo [pedir ajuda] à China'”, disse o presidente de Timor-Leste.

Os países que agora ocupam assentos no Conselho de Segurança da ONU, no Grupo dos Sete (G7) e no G20, de que o Brasil faz parte, não demonstram grande sabedoria e liderança ao lidar com questões globais, muitas das quais são mais graves no Sul Global, aponta Ramos-Horta.
“É claro que a ajuda é alocada, mas grande parte dela não chega aos beneficiários”, disse ele, explicando que enormes quantias de dinheiro destinadas à ajuda real são gastas com especialistas e analistas que realizam estudos intermináveis para avaliar a situação e as áreas do Sul Global que mais precisam de ajuda.
HMCS Montreal (FFH 336), fragata canadense (à esquerda); USS Winston S. Churchill (DDG 81), contratorpedeiro de mísseis guiados da classe Arleigh Burke, (no centro), e HMS Argylle (F231), fragata britânica, em formação para o exercício Joint Warrior 17-2, em 9 de outubro de 2017 - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2023

“Bilhões de dólares estão sendo investidos no conflito na Ucrânia e gastos para atender a milhões de refugiados ucranianos na Europa, mas não vemos nenhuma mobilização semelhante de compaixão pelas pessoas dos países em desenvolvimento que sofrem com a enorme dívida externa, as terríveis consequências da pandemia da COVID-19, a inflação, as quedas do mercado de ações, a disparada dos custos de transporte e assim por diante”, afirma Ramos-Horta.

Delineando uma situação em que os governos dos países ricos não estão fazendo o suficiente para resolver os terríveis problemas dos países em desenvolvimento, ele conclamou as pessoas mais ricas do Norte Global e do Sul Global a reunirem seus esforços e capital para ajudar as pessoas dos países em dificuldades.
A República Democrática de Timor-Leste, que era uma antiga colônia portuguesa e depois uma província da Indonésia, conquistou a independência em 2002, se tornando a primeira nova nação do mundo a surgir no século XXI.
Mísseis (imagem de referência) - Sputnik Brasil, 1920, 01.06.2023

Fonte: sputniknewsbrasil

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