“Quando os EUA se aproximaram da China, na virada dos anos 1960 para 1970, era parte de uma estratégia. O que os EUA talvez não esperavam é que dentro de três ou quatro décadas aquela China seria exportadora de produtos de média e alta tecnologia e que estaria na vanguarda tecnológica em vários campos, competindo e até suplantando os EUA em diversos setores”, elencou durante a entrevista.
“Isso inclui desde fomentar processos separatistas na China, o cerco militar à China com as bases e […] uma narrativa de ‘nós contra eles’, dando vida àquela velha retórica da Guerra Fria, cuja paranoia se expressa em vários planos, inclusive nesta questão do suposto balão espião. Isso era nítido na guerra comercial do governo [de Donald] Trump [ex-presidente dos EUA] em relação à China, e que agora vai ganhando contornos cada vez mais graves.”
“Desde o ano passado tem aumentado muito [a venda], sendo que existe um acordo de China e Estados Unidos de 1982 em que os americanos prometiam reduzir ainda mais a venda de armas a Taiwan, e no último ano isso só tem aumentado.”
“Mas não se descarta isso, porque [os americanos] já colocaram a Rússia no colo da China. É uma barbeiragem diplomática e estratégica sem tamanho. Então não me surpreenderia se chegasse a um grau de provocação em que a guerra fosse incontornável. Nada do que vem acontecendo ultimamente é normal.”
Abate de balão: cortina de fumaça para encobrir problemas domésticos
“Uma pessoa que acredita que esse balão é espião ou é muito burra (com o perdão do termo) e inocente ou sofreu uma imensa lavagem cerebral e não sabe de nada que está acontecendo no mundo. No atual momento dos EUA, existem pesquisas que dizem o seguinte: mais de 40% das pessoas que moram lá têm a sensação de estar em uma guerra civil. É uma sociedade que não encontra solução para os seus próprios problemas e suas contradições, que não são pequenas.”
“Rússia e China hoje são o alvo perfeito. Depois aparece OVNI [sigla para objeto voador não identificado], depois aparece sei lá o quê. Então tudo o que possa levar a opinião pública americana [para] […] algo externo aos Estados Unidos é feito. Inclusive levar as pessoas a acreditarem que aquele balão era espião. É algo que não entra na minha cabeça. Não acho que os chineses utilizariam um balão para fazer esse tipo de coisa”, argumenta.
A silenciosa contraofensiva chinesa
“Na curta é sinalizar para os EUA qualquer violação ao território nacional e a seus interesses imediatos, como no caso da visita de Nancy Pelosi a Taiwan”, observa ele.
Exercícios dos EUA no oceano Pacífico
“Os EUA querem desnuclearizar a península da Coreia, mas não querem retirar seus 30 mil soldados da Coreia do Sul. Os norte-coreanos, porém, não estão com vontade de abrir mão da sua capacidade militar construída recentemente”, diz.
“Não existe uma opinião formada pelo Biden ou pela Kamala Harris, é do ‘deep state’ americano. Não acho a Kamala Harris uma pessoa moderada; ela é uma juíza, punitivista, inclusive da Califórnia. Sei que pode chocar, mas ela é parte desta direita anti-China, anti-Rússia, anti qualquer coisa que possa ameaçar o poder americano.”
“Imagine uma manobra entre China, Rússia e Cuba nas imediações territoriais americanas. Se o balão já causou este frenesi, isso seria absolutamente inconcebível na fronteira imediata dos Estados Unidos. A posição de força dos EUA é estabelecer poder no entorno da China, o que inclui manobras com países vizinhos, algo que seria inconcebível na perspectiva da Casa Branca [no oceano Atlântico]”, conclui.
Fonte: sputniknewsbrasil












