Incerteza sobre recuperação do setor imobiliário chinês volta a derrubar minério


A preocupação crescente com relação à incerta recuperação do setor imobiliário chinês voltou a afetar as cotações do minério de ferro, que exibiram resultados mistos, na sessão dessa segunda-feira (24).

Enquanto a commodity mais negociada para setembro próximo na bolsa de Dalian (China) apresentou avanço mínimo de 0,1% a 845 iuanes ou US$ 117,45 por tonelada, o similar na bolsa de Cingapura, com vencimento em agosto próximo, recuou 0,8% a US$ 112,7 a tonelada, traduzindo uma redução, ante à máxima de três meses, atingida na sessão anterior (sexta-feira, 21).

Tal comportamento ‘errático’ se consolidou, a despeito de declarações do planejador estatal da China, que acenou com medidas de estímulo ao investimento privado no setor de infraestrutura. Mesmo assim, ações do setor imobiliário locais tombaram a mínimas de oito meses, sob o peso de dúvidas quanto à capacidade pagamento de duas das maiores incorporadoras do país, acentuando o temor da eclosão de uma crise de maiores proporções, à frente.

Segundo analistas do banco de investimentos ANZ, em nota, “a demanda por aço permaneceu fraca com a deterioração dos indicadores imobiliários e a fraca demanda sazonal deixa pouca esperança de uma mudança favorável”.

No plano global, a perspectiva de o Federal Reserve (Fed) – banco central ianque – e o Banco Central Europeu (BCE), aplicarem novos aumentos de juros, ainda nesta semana, elevou a incerteza em relação à demanda global, o que jogou para baixo os preços, tanto do minério de ferro, quanto do cobre.

No paralelo, também o fortalecimento do dólar encarece as matérias-primas àqueles que compram com moedas mais fracas, além de pesar sobre os preços das commodities, avalia a Shanghai Metals Market.

Diante da fraca expectativa de analistas quanto à adoção de medidas em favor do setor pelo governo de Pequim, a consultoria global de commodities Wood Mackenzie projetou que o minério de ferro deve chegar ao fim do ano no patamar de US$ 105, acrescentando que ‘dificilmente’ a commodity voltará ao US$ 200, como no período mais crítico da pandemia.

Ao mesmo tempo, está no radar do investidor uma alteração de cenário, mediante uma mudança estrutural na China, o avanço da Índia no papel de compradora, além da entrada em operação de uma nova mina na África.

Fonte: capitalist

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