Pedir delivery pelo iFood pode ser muito prático aos consumidores. No entanto, existem diversas preocupações do ponto de vista ambiental, já que muitos dos pedidos acompanham guardanapos, talheres, copos e embalagens diversas de plástico de uso único.
Com isso, o iFood, startup de entrega de alimentos com sede no Brasil, buscou adotar uma série de iniciativas destinadas a reduzir o impacto ambiental da empresa, à medida que os consumidores pressionam por medidas pró-sustentabilidade, principalmente no que se refere ao uso de plástico.
Emissão de plástico por delivery
Quando os restaurantes fecharam suas portas devido aos bloqueios da pandemia de Covid-19, os serviços de entrega se tornaram a força vital para manter o funcionamento de muitas empresas. No entanto, o aumento do delivery também elevou o consumo de plástico.
Segundo o estudo “O mercado de delivery de refeições e a poluição plástica”, encomendado pela ONG Oceana, o consumo de plásticos descartáveis em pedidos de entrega de comida aumentou 46% no Brasil, de 2019 a 2021, um salto de 17,16 mil toneladas para 25,13 mil toneladas.
Ainda de acordo com a pesquisa, somente em 2021, a quantidade total de resíduos plásticos gerados pelos serviços de entrega de alimentos no país foi de 68 toneladas por dia ou 2,8 toneladas por hora.
Esse crescimento mantido a longo prazo poderia gerar diversos impactos ao meio ambiente, inclusive, colaborando com o aquecimento global.
Qual a relação do plástico e o aquecimento global?
A produção excessiva de plástico tem o potencial de exacerbar os impactos climáticos, podendo gerar efeitos negativos e contribuir para a aceleração do aquecimento global, caso a produção, descarte e incineração do material continuem em sua atual trajetória de crescimento.
No Acordo de Paris, estabelecido em 2015, os países se propuseram a buscar medidas para limitar o crescimento da temperatura média global em 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.
No entanto, um estudo realizado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado em maio de 2022, mostrou que há 50% de chance de que essa marca seja ultrapassada nos próximos 5 anos. Mas o que a produção de plástico teria a ver com isso?
Segundo relatório de 2019 da ONG Center of International Environmental Law (CIEL), estima-se que as emissões globais anuais relacionadas ao plástico possam atingir 1,34 gigatoneladas até 2030, o equivalente a mais de 295 usinas de energia movidas a carvão de 500 megawatts.
Já um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente de 2021 mostrou que no ano de 2015, as emissões de gases do efeito estufa que eram geradas por plásticos correspondiam a 1,7 gigatoneladas de CO₂, havendo possibilidade de que essas emissões pudessem aumentar para 6,5 gigatoneladas de dióxido de carbono até 2050.
Por isso, apesar de não ser o único fator, a produção de plástico em excesso é um dos mais preocupantes quando o assunto é a preocupação com o meio ambiente e o aquecimento global.
Conscientização do uso
Conforme dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), somente 9% dos resíduos plásticos do planeta foram reciclados no ano de 2019, de um total 353 milhões de toneladas gerados do material.
O iFood, principal foodtech do Brasil, colocou em prática um plano de redução de impacto ambiental que visa acabar com a poluição plástica por meio de suas operações de entrega e se tornar carbono neutro até 2025.
O que é emissão de carbono no iFood?
Para alcançar o objetivo de se tornar neutro em carbono, o iFood investe em pesquisas relacionadas a compensações de carbono. Como resultado, a empresa de delivery firmou uma parceria com a Moss, fintech ambiental que vende créditos de carbono, para poder zerar suas emissões.
A compensação ocorre da seguinte forma:
- O iFood faz um levantamento do número de pedidos até o final do ano;
- Uma calculadora desenvolvida pela Moss prevê quantas toneladas de CO₂ serão emitidas;
- Uma vez quantificada, pode-se calcular a área de floresta que deve ser protegida para neutralizar tais emissões;
- O iFood compra créditos de carbono da Moos;
- A Moss aloca os fundos em projetos de conservação ambiental.
Como resultado da estratégia, no segundo semestre de 2021, o iFood adquiriu em crédito de carbono equivalente a mais de 115 mil toneladas de CO₂. Esse método antecipou a compensação de CO₂ do iFood em 2022, o que fez com que mais de 1.250 quilômetros quadrados (cerca de 125 campos de futebol) de floresta fossem protegidos.
Outras iniciativas do iFood
Embora a empresa seja pioneira na área de compensação de carbono, o iFood planeja neutralizar sua pegada de carbono investindo em projetos que gerem créditos de carbono, em vez de comprar créditos de carbono no mercado.
Em outras palavras, o CO₂ “emitido” pelo iFood nas ruas deve ser compensado pelos projetos que a empresa investirá. Além disso, o iFood priorizará soluções que promovam o uso de embalagens sustentáveis e o uso de modais “limpos” (bicicletas, bicicletas elétricas e motos elétricas).
Soluções para o plástico
Para evitar o plástico de uso único, o aplicativo passou a oferecer uma opção para que o usuário escolha receber ou não talheres de plástico e outros itens descartáveis, além de criar um selo para reconhecer restaurantes cadastrados por boas práticas ambientais.
Fonte: exame






