
Em entrevista cedida com exclusividade à Sputnik Brasil em agosto do ano passado, o ex-chanceler disse que “um grupo de países, sendo europeus, dos BRICS e até mesmo a China, que têm grande influência, poderiam ajudar a encontrar uma paz razoável. Esse acordo pressupõe concessões dos dois lados, e para isso é preciso haver diálogo”, comentou. Para o ex-chanceler, não existe uma fórmula ideal, mas é possível “entrar em um acordo de paz. É preciso querer, enquanto houver transferência de culpa, não há solução”.
“Por tudo que vimos no noticiário internacional e nas declarações oficiais do governo, ele insiste em posições absolutamente irrealistas, irrealizáveis como a retomada da península da Crimeia, onde majoritariamente se tem uma população russa que deseja pertencer a Federação da Rússia. Nesse sentido, ele aparece como alguém buscando uma solução militar para o conflito como ele já tinha negado antes o chamado formato da Normandia, onde se deveria discutir as condições de existência e de vida das populações russófonas no interior da Ucrânia. O Zelensky só vai negociar se receber uma ordenação dos Estados Unidos para fazê-lo. Enquanto a União Europeia e os Estados Unidos apoiarem o esforço bélico de Zelensky, não haverá negociações. Nesse sentido, eu acho muito mais viável uma postura muito firme do Brasil contra uma solução militar do conflito junto à União Europeia do que, propriamente, junto a Zelensky. A capacidade que o presidente Lula tem de influenciar a política americana junto a Zelensky é muito baixa”, avalia.
“Então é preciso ter muito cuidado mais uma vez nessas negociações”, aconselha Silva, correlacionando a experiência anterior com uma eventual atuação do Brasil na negociação de paz no conflito entre Rússia e Ucrânia.

“Seria efetivamente uma posição possível e também em relação aos interesses que o Brasil possui, tanto com a Rússia como com a Ucrânia, nas suas relações comerciais e nas perspectivas de aprofundamento das suas respectivas relações. Eu acredito que o Brasil teria, sim, legitimidade para realizar uma mediação eventualmente bem-sucedida”, aponta.
“Lula tem um privilégio em relação a gozar de boas relações com diversos atores importantes, seja com o presidente Putin, seja eventualmente com interlocutores válidos do presidente Zelensky, isso naturalmente reforça o aspecto da credibilidade do país e reforça também o aspecto da possibilidade prática de interlocução no sentido de que as falas ou de que as posturas que ele adote possam ser vistas como um crédito efetivamente mais plausível do que em relação ao que nós tínhamos no governo anterior. A imagem que o presidente Lula tem em relação às lideranças internacionais importantes nesse contexto facilitaria a atuação do Brasil”, afirma ele.
“Seria, talvez, um reforço dos protocolos de Budapeste ou alguma coisa que pudesse ter um número maior de signatários; ou, eventualmente, até passando pelo próprio Conselho de Segurança da ONU. Nesse aspecto, essa legitimidade talvez seja reforçada pelos interesses do Brasil com as partes e também pelo fato de o Brasil, de alguma forma, não representar ameaça dentro desse contexto. O Brasil pela sua potência regional (em relação inclusive à cobiça de interesses internacionais pelas suas riquezas) talvez devesse discutir de uma forma mais abrangente com a própria sociedade a continuação da adesão a esses protocolos“, conclui.
Fonte: sputniknewsbrasil











