“É muito importante essa participação, e ela tende a se ampliar. Essa eleição mostrou que um maior foco, uma maior articulação regional para as próximas eleições poderá implicar em um aumento significativo dessa bancada. […] Importante destacar que há um vento muito favorável, tanto em nível nacional quanto internacional, para que o protagonismo indígena dê certo, principalmente na gestão desses órgãos, como a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas”, afirmou De Paula.
“A criação do ministério tem um impacto muito positivo em toda a política indigenista, até pela proposta de trazer o ministério como esse órgão do Executivo federal articulador, que consegue vincular debates com os outros ministérios que têm interferência direta e indireta”, afirma Karipuna.
NOVOS TEMPOS | Hoje a @funaioficial volta a ser um órgão que atua pela proteção dos direitos dos povos indígenas. @JoeniaWapichana, primeira presidente indígena da pasta, conduziu ato de retomada do órgão. pic.twitter.com/pC0NtNIf9c
— Apib Oficial (@ApibOficial) January 2, 2023
“Com tudo que o presidente Lula vem falando, seja na campanha, seja no início do governo, a gente não tem nem sombra de dúvida de que vai ser um período de bastante conquistas. Mas, é claro, de enormes desafios, porque a gente precisa reconstruir coisas que foram destruídas”, afirma.
“Me surpreendi com a veemência com que o governo Lula assumiu algumas bandeiras caras ao movimento indígena e parte de seus parceiros, em particular a presidência da Funai e [o comando] da Sesai [Secretaria Especial de Saúde Indígena]. Minha expectativa era que o início do governo fosse marcado por um diálogo com o movimento indígena visando à construção de um plano de fortalecimento, recuperação e gestão compartilhada desses dois órgãos já consolidados da política indigenista nacional e duramente maltratados durante os últimos quatro anos”, apontou.
“O tema mais politicamente sensível da administração estatal dos povos indígenas desde o início da colonização sempre foi a (não) resolução da demarcação completa das terras indígenas no país e, mais ainda, sua proteção integral contra invasões de terceiros. Atender plenamente a tais demandas não passa apenas pela presença de lideranças indígenas na gestão da Funai (ou do anunciado Ministério dos Povos Indígenas) ou pelo apoio do presidente Lula e de seu partido.”
“A atual amplitude da composição governamental não parece dialogar em nada com o justo entusiasmo exibido pelos indígenas e seus parceiros (nos quais me incluo) desde o anúncio de uma Funai para atender (exclusivamente?) a interesses indígenas. A ver, e torcendo para que minha avaliação preocupada esteja totalmente equivocada”, reforçou o professor da UFABC.
“As atribuições da Funai não são fáceis. A demarcação de terras é a mais complicada, a mais complexa. A gestão territorial e monitoramento é outra faceta dessa administração. Monitoramento, identificação de invasões, articulação com outros órgãos para impedir e retirar invasores… Outra coisa são as parcerias agrícolas que o governo Bolsonaro criou, trazendo para as terras indígenas o agronegócio. A gestão da Funai vai ter que lidar com esse tema, que é tenso. Há muitos povos que são contra, mas há outros que estão entusiasmados com essas iniciativas, particularmente pelo abandono do Estado em pactuar práticas sustentáveis com os povos, que tinham sido implementadas em outros governos”, destaca De Paula.
Fonte: sputniknewsbrasil






