Uma tempestade se aproxima do mercado financeiro e já tem nome: risco de crédito, precipitado pela crise de insolvência (ainda não debelada) da varejista Americanas (AMER3), uma das maiores do país, que se alastrou endemicamente pelo mercado.
Paradoxalmente, a percepção crescente de risco está fazendo com que economistas comecem a projetar um cenário em que o corte da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC) pode ocorrer mais rapidamente do que o previsto, o que pode ser benéfico para o acesso ao crédito e à própria economia.
O entendimento de analistas é de que o corte iminente a Selic – hoje no patamar altíssimo de 13,75% ao ano – decorre do temor de agravamento mais célere do risco de crédito, deflagrado, não só pela crise detonada pela Americanas, quanto pela desaceleração inconteste da atividade econômica.
Caso se confirme, a baixa da Selic poderia representar um ‘aceno’ de cunho mais técnico do que política da medida. O único freio possível ao corte breve dos juros, no entendimento do mercado, seria a persistência da incerteza em relação à âncora fiscal, acrescida da mudança da meta fiscal e na ‘desancoragem’ das expectativas.
A previsão de corte mais rápido da Selic já integra as expectativas constantes de avaliações dos bancos Alfa e Fibra, mediante a constatação de que o risco de piora do mercado de crédito tem se acentuado nas últimas semanas. Frente à essa constatação, a Fibra passou a projetar uma queda dos atuais 13,75% ao ano para 12,5% ao ano da Selic para o final deste ano, o que inclui a estimativa cinco cortes de 0,25 ponto porcentual a partir de junho próximo.
Para o economista-chefe do banco, Cristiano Oliveira, a revisão da projeção sobre a Selic considera a degradação das condições financeiras do país, que podem se ampliar, devido a problemas de crédito por parte algumas companhias varejistas. A tradução desse quadro é o viés negativo do crédito, em um momento de desaceleração da economia, por conta do prolongado aperto monetário conduzido pelo BC.
No paralelo, o setor de crédito no país já se encontra em ‘alerta máximo’, a reboque de fatores como endividamento e inadimplência recordes; inflação em alta, juros elevados e perspectivas negativas sobre a economia, que demandam a necessidade de criação de programas de renegociação, a exemplo do futuro ‘Desenrola’.
Fonte: capitalist






