Que existem mais mulheres do que homens no mundo, provavelmente você deve saber. Também deve conhecer a realidade do mercado de trabalho, em que os cargos de liderança ainda são predominantemente masculinos e que há diferenciação de salários entre homens e mulheres.
A desigualdade de gênero ainda é um desafio para a maioria dos países, tanto que entre os objetivos do Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), o quinto se concentra nesta problemática: “Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”.
Quando se observa a atuação de mulheres dentro de áreas como Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática – que podem ser definidas pelo termo em inglês STEM – essa desigualdade pode ser ainda maior. No entanto, mensurar essas diferenças e apontar dados que possam subsidiar a criação de políticas públicas para alcançar a igualdade de gênero pode ser um grande desafio.
E foi justamente pensando nisso que o projeto “Latin american open data for gender equality policies focusing on leadership in STEM”, executado pela rede de pesquisadores Ellas (Equality Leadership for Latin American STEM), pretende mapear estudos e políticas públicas sobre mulheres em STEM e disponibilizar estes dados para qualquer pessoa, por meio de plataforma de dados aberta ou “Linked Open Data”, como definiu o coordenador do projeto, professor Cristiano Maciel, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
“Esse projeto se baseia na premissa de que faltam dados da questão de gênero para subsidiar a criação de novas políticas públicas. A gente não sabe, por exemplo, quantas mulheres hoje ocupam cargos de liderança, quais são os principais problemas que essas mulheres enfrentam nas empresas e instituições de ensino e muitas outras questões”, apontou Cristiano.
Pensar nessa solução fez com que o projeto fosse um dos seis contemplados no mundo todo e o único escolhido na América Latina. A rede de pesquisa deste projeto é composta por 49 pessoas, de sete instituições diferentes e de três países: Brasil, Bolívia e Peru. O investimento é de mais de R$ 5 milhões, financiado pelo IRDC Canadá, que é um centro de pesquisa voltado ao desenvolvimento internacional, por intermédio da Fundação Uniselva, que é a fundação de apoio da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
No primeiro ano de execução do projeto, que ocorreu em 2022, os pesquisadores atuaram nos estudos bibliográficos e no levantamento dos dados já existentes sobre a questão de gênero dos três países da América do Sul, para que futuramente eles possam constar, de forma sistematizada, na plataforma.
Já neste ano, o desafio é um pouco maior: aplicar um questionário com cerca de 120 questões, para aproximadamente 3.200 pessoas de cada um dos países envolvidos, tendo como público-alvo as mulheres que trabalham ou estudam na área de tecnologia.
“Um dos problemas vistos na maioria das pesquisas acadêmicas, é que costumam ser aplicadas para poucas pessoas. Este questionário, que a gente chama de ‘survey’, será aplicado em larga escala, o que nos dará uma visão mais ampla da desigualdade de gênero. A ideia é que os dados provenientes do survey constem nesta plataforma”, explicou o coordenador do projeto.
Em paralelo, o projeto também está desenvolvendo uma plataforma que, quando pronta, será disponibilizada como um site e concentrará todas as informações relacionadas às mulheres em STEM, sejam elas colhidas pelos envolvidos nesta pesquisa ou aquelas provenientes de outras pesquisas e obras literárias, constando a fonte de todas elas.
Encontros
O professor Cristiano Maciel destacou também que o projeto foi desenvolvido em meio à pandemia do Covid-19. Logo, os encontros online – que ocorrem até hoje – resolveram dois problemas: a exposição à doença e a distância geográfica entre os pesquisadores dos três países. No entanto, os encontros presenciais foram pensados para também acontecerem como uma forma de troca de experiências e conhecimento entre os participantes.
O primeiro foi realizado no ano passado, na UFMT e o próximo, programado para acontecer em setembro, será em Lima, no Peru. “Acho que o grande diferencial deste encontro será o fato de que não teremos apenas professores e consultores, mas teremos estudantes de todos os países envolvidos, que serão contemplados por bolsas para custear a viagem. Então será um momento de muita troca”, pontuou o professor.
Além da UFMT, integram o projeto pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal Santa Catarina (UFSC), Universidad Mayor de San Andrés (Bolívia), Universidad Católica Boliviana San Pablo (Bolívia) e Universidad de Lima (Peru).
Mais informações no instagram do projeto.
Com informações da Fundação Uniselva
Fonte: ufmt






