Pegadas de 106 milhões de anos sugerem que predador alado perseguia presas em terra (IMAGEM)


Paleontólogos na Coreia do Sul reconstruíram uma cena rara a partir de pegadas fossilizadas: um grande pterossauro galopando pelo solo enquanto parecia perseguir um pequeno vertebrado. As marcas, preservadas em uma placa de rocha com mais de 106 milhões de anos, revelam um breve encontro congelado no tempo.
O animal menor surge primeiro, caminhando devagar até mudar abruptamente de direção e acelerar, como se reagisse a uma ameaça iminente. Logo atrás, aproximam-se as pegadas largas e profundas de um pterossauro em movimento rápido sobre quatro patas, convergindo na direção da possível presa.

© Foto / Scientific Reports/Jung et al., 2026A laje de rocha com as pegadas incrustadas nela; (b) um diagrama destacando os dois conjuntos de pegadas, com o pequeno animal em azul e o pterossauro em vermelho

A laje de rocha com as pegadas incrustadas nela; (b) um diagrama destacando os dois conjuntos de pegadas, com o pequeno animal em azul e o pterossauro em vermelho - Sputnik Brasil, 1920, 25.04.2026

A laje de rocha com as pegadas incrustadas nela; (b) um diagrama destacando os dois conjuntos de pegadas, com o pequeno animal em azul e o pterossauro em vermelho
Embora o desfecho permaneça desconhecido, a proximidade temporal e espacial das trilhas sugere uma interação direta. Os pesquisadores destacam que a associação não prova predação, mas o conjunto de evidências — velocidade, direção e contexto ecológico — aponta para um encontro potencialmente fatal para o pequeno animal.
A análise das pegadas revelou que o predador não corresponde a nenhuma espécie conhecida, levando à descrição de um novo gênero e espécie: Jinjuichnus procerus. O nome homenageia a região de Jinju, onde o fóssil foi encontrado, e destaca o formato alongado dos dedos registrados na rocha.
Anquilossauro (imagem de referência) - Sputnik Brasil, 1920, 17.04.2025

A possível presa é mais difícil de identificar, mas as marcas indicam um pequeno anfíbio ou réptil, como uma salamandra, lagarto ou jovem crocodiliano. A cena reforça a ideia de que muitos pterossauros caminhavam com facilidade em terra firme, adotando uma marcha quadrúpede semelhante à dos gorilas modernos.

Essas incursões terrestres provavelmente eram oportunidades de caça, parte de uma estratégia conhecida como “perseguição terrestre”. Estudos sugerem que pterossauros capturavam desde lagartos e mamíferos até peixes, outros pterossauros e dinossauros juvenis, ocupando um nicho comparável ao das cegonhas atuais.

No caso do J. procerus, a velocidade estimada de 2,9 km/h indica agilidade suficiente para surpreender pequenas presas. A descoberta, atribuída ao grupo dos neoazhdarchianos, reforça o valor das pegadas fósseis como fonte de informações sobre comportamentos extintos — e talvez registre um momento de caça que terminou mal para o menor dos protagonistas.
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Fonte: sputniknewsbrasil

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