Renault Kwid x Fiat Mobi: qual é a melhor escolha entre os carros populares?


Pensar que o carro mais barato do Brasil atualmente custa R$ 58.990 é difícil de engolir. E ainda é preciso considerar que o preço só está neste patamar porque o governo lançou um programa de incentivo à indústria que fez as tabelas sofrerem baixas de milhares de reais.

Mas, sem entrar no mérito dos motivos que levaram à extinção do verdadeiro carro popular (atrelados a todos os percalços que a indútria automotiva tem enfrentado com os reflexos da pandemia e dos altos impostos cobrados no país), é o que temos para hoje: Renault Kwid e Fiat Mobi dividindo esse título, com suas versões de entrada, Zen e Like, ao preço de R$ 58.990.

Ambos revezam as posições há bastante tempo, tanto que já comparamos as configurações mais baratas. Então é a vez de analisarmos qual dos dois compactos tem a melhor versão de topo.

Coincidentemente (ou não…), as duas opções mais caras, Kwid Outsider e Mobi Trekking, têm estilo aventureiro. E é basicamente isso, apenas o estilo, já que o trem de força não muda em toda a linha — embora o Fiat tenha uma altura de suspensão mais elevada: são 5,4 centímetros a mais na altura livre do solo em comparação à versão Like.

E já que começamos falando de mecânica, vamos logo ao que interessa. O Kwid traz sob o capô o motor 1.0 de três cilindros, que rende até 71 cv e 10 kgfm de torque com etanol; o concorrente, por sua vez, conta com o veterano 1.0 de quatro cilindros da linha Fire, com até 74 cv e 9,9 kgfm com o mesmo combustível. Nenhum dos dois tem um desempenho brilhante, como era de esperar, mas o Renault começa com a vantagem de ser 140 kg mais leve que o Fiat.

Assim, o Kwid vence em todas as medições em pista: na aceleração de 0 a 100 km/h, feita em 12,3 segundos (contra longos 16,6 s do Mobi), nas retomadas, que também são bem mais ligeiras, e até nas frenagens, aí com uma vantagem não tão expressiva. Também se sai melhor no quesito economia de combustível, registrando 12,1 km/l na média combinada entre estrada e cidade quando abastecido com etanol — pena que o tanque seja de apenas 38 litros, o que limita a autonomia. O rival roda 10,8 km/l.

Todavia, não pense que o Kwid só tem trunfos sobre o Mobi. Em termos de construção, o hatch da Fiat tem aparência bem menos frágil que a do Renault. O acabamento é simples, porém mais caprichado na montagem e com materiais de melhor qualidade. Além disso, a ergonomia é mais acertada.

Nenhum deles tem ajustes de altura e profundidade do volante nem banco elétrico, o que é comum em carros de entrada, mas a posição de dirigir no Mobi é mais altinha, mesmo que o Kwid se autointitule o “SUV dos compactos”. A espuma dos assentos também é mais firme e oferece melhor apoio ao corpo.

Mas o que realmente incomoda no francesinho são os comandos em posições não convencionais, como a abertura dos vidros no painel central e não nas portas. Em vez de ficarem no volante, como no Mobi, os comandos para controle do áudio encontram-se em uma alavanca meio escondida atrás do volante e são estranhos de operar, já que é preciso puxar os botões em vez de empurrá-los.

Na hora de dirigir, o Kwid se mostra mais espertinho pela combinação de baixo peso e melhores dados de performance. Algo que atrapalha a dirigibilidade do Renault é o fato de o pedal de embreagem ser muito alto, desalinhado com o freio e o acelerador, o que obriga o motorista a ficar com o joelho para cima. O câmbio, por sua vez, é bem acertado, e a direção elétrica é levinha (às vezes até demais) e deixa o compacto bem fácil de manobrar.

os grandes problemas do Mobi são justamente… o câmbio e a direção! Com engates longos e imprecisos, a dirigibilidade fica extremamente prejudicada quando você tenta trocar de marcha e ela simplesmente não encaixa de primeira, fazendo com que o carro perca o embalo.

E a direção com assistência hidráulica é dura e pesada, o que exige esforço extra na hora de manobrar. Esses são pontos fundamentais que atrapalham bastante o desempenho geral do Fiat.

Mas em outros quesitos, como ajuste de suspensão (encara com mais habilidade valetas, lombadas e até trechos de terra não muito desafiadores), equilíbrio e até isolamento acústico, ele leva a melhor sobre o rival. Só não ligue o ar-condicionado na estrada, porque aí a queda no rendimento é nítida e instantânea.

Quando o assunto é espaço, outro ponto para o Kwid. Por ter porte um pouco maior, com entre-eixos de 12 cm a mais que o do Mobi, os passageiros do banco de trás viajam com mais conforto. O porta-malas é mais generoso: leva 290 litros, contra 235 l do concorrente.

A lista de equipamentos do Renault é mais recheada também, especialmente no que diz respeito a itens de segurança, como airbags laterais (não oferecidos no Mobi nem como opcionais), controle de estabilidade com assistente de partida em rampa e câmera de ré (opcionais no rival). Entretanto, o básico do conforto é garantido em ambos para que ninguém passe perrengue.

Para jogar a pá de cal e decretar a vitória do Kwid neste comparativo, só falta falar dos custos de propriedade de cada um deles. Mesmo que nessas versões de topo a situação se inverta e o Mobi seja mais barato (diferença de R$ 2.350), manter um Kwid na garagem sai bem mais em conta a longo prazo: além de ter uma diferença de cerca de R$ 1.000 no preço do seguro, as revisões são mais baratas e a cesta de peças do rival custa mais de R$ 3.200 extras.

Somando todos os quesitos, o compacto da Renault oferece um pacote mais completo para o consumidor que procura um carro barato para se locomover no dia a dia, sem exigências de refinamento ou performance excepcionais. O Mobi também tem suas vantagens e atende bem quem quer um carrinho mais valente para enfrentar percursos em que a suspensão seja mais exigida. Ainda que chamá-los de “baratos” seja mero devaneio.

*Cesta de peças: Retrovisor direito, farol direito, para-choque dianteiro, lanterna traseira direita, filtro de ar (elemento), filtro de ar do motor, jogo de quatro amortecedores, pastilhas de freio dianteiras, filtro de óleo do motor e filtro de combustível

**Seguro: O valor é uma média entre as cotações das principais seguradoras do país com base no perfil padrão de Autoesporte, sem bônus. O levantamento foi feito pela Minuto Seguros

O Kwid também leva a melhor quando comparamos as versões mais caras dos dois modelos mais baratos vendidos no Brasil atualmente. Ele pode ter preço um pouquinho mais alto que o do Mobi, porém compensa no custo de propriedade, já que tem seguro, manutenção e peças mais em conta. Além disso, é mais equipado e econômico, apesar de pecar no acabamento.

AGRADECIMENTO: Shopping praça da Moça — Rua Manoel da Nóbrega, 712, Diadema/SP

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Fonte: direitonews

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