Pesquisador cria DTA capaz de simular ambientes reais


Com o objetivo de estudar o comportamento de reações químicas a partir da simulação de diversas condições ambientais em laboratório, um pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso, em parceria com outras instituições, desenvolveu e patenteou um “DTA não convencional em câmara controlada”. O protótipo foi pensado para pesquisas na área de materiais da engenharia civil, como reações de hidratação no cimento Portland, mas pode ser aplicado de outras formas.

DTA vem da sigla em inglês para Análise Térmica Diferencial (Differential Thermal Analysis). São equipamentos já consolidados no mercado que analisam a diferença de temperatura entre amostras referenciais e as analisadas, em determinado ambiente fechado onde ambos recebem um fluxo de calor constante de um forno acoplado. Esse calor gera reações durante a decomposição da amostra. Essas reações podem ser de absorção ou liberação de calor, onde através da diferença de temperatura com a atmosfera do equipamento, é captado o sinal de DTA.

“Ao contrário do DTA convencional, durante a pesquisa do meu doutoramento, nosso grupo fazia uso de um sistema que não ficava em ambiente controlado e não recebia  fluxo de calor para controle da atmosfera reativa. Naquele caso, a aferição da temperatura era feita por termopares que captavam a liberação espontânea que determinadas reações produzem, como as do cimento Portland. Neste sistema, que já está presente em vários artigos publicados, não se mede calor, mas as diferenças de temperatura que estão vinculadas a quantidade de calor.” , explicou o professor Alex Neves Junior, do Departamento de Engenharia Civil.

O protótipo patenteado, entretanto, vai um passo além. Coloca a amostra de volta em uma câmara, onde os pesquisadores incluíram também formas de controlar umidade, pressão do ar, gases e outras variáveis capazes de simular diversas possibilidades de ambientes reais.

“Pensando na engenharia civil, nosso objetivo é conseguir investigar como determinadas características ambientais, dos menos agressivos aos mais extremos, influenciam em materiais como o cimento durante suas reações espontâneas. Isso permite uma compreensão mais aprofundada das transformações químicas, contribuindo para o desenvolvimento de materiais com propriedades desejadas e para a identificação de aplicações práticas futuras”, concluiu.

Com essa tecnologia, é possível avançar na compreensão dos estudos de materiais em diversas atmosferas possíveis, para que na prática se comportem de maneira eficiente e sejam projetados adequadamente para os mais diversos fins.

Fonte: ufmt

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