Sim, a Volkswagen Saveiro vai sair de linha para dar lugar a nova Tukan, um modelo intermediário que, inclusive, terá versão com cabine simples e suspensão traseira com eixo rígido e molas semielípticas para tentar enfrentar a Fiat Strada em melhores condições. Mas isso só vai se concretizar no primeiro semestre de 2027.
Enquanto isso não acontece, a Saveiro segue com produção regular na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) e também à venda na rede de concessionárias Volkswagen, inclusive com descontos. Autoesporte testou a versão de entrada, Robust CS, anunciada por R$ 112.690. O motor é sempre o 1.6 MSI aspirado flex de quatro cilindros e 16 válvulas, com até 116 cv de potência e 16,1 kgfm de torque, aliado ao conhecido câmbio MQ200 manual de cinco marchas em todas as versões.
Confira a seguir cinco razões para comprar a Volkswagen Saveiro Robust 2026 e outros cinco motivos para pensar bem antes de fechar negócio.
Como já dissemos, a Saveiro tem um único conjunto mecânico disponível: motor 1.6 16V da família EA211, com 116 cv de potência e 16,1 kgfm de torque, e câmbio manual de cinco marchas. Falaremos mais adiante da caixa, que merece um tópico à parte.
Em relação ao propulsor, leva a picapinha aos 100 km/h em respeitáveis 9,9 segundos. A marca é quase dois segundos melhor que a da grande rival, Fiat Strada, com motor 1.3 Firefly (a verdadeira rival da Saveiro), e quase 3 segundos mais veloz que a da Chevrolet Montana MT, que, apesar de maior, tem motor 1.2 turbo.
Outra característica que rende elogios à Saveiro é o câmbio manual de cinco marchas MQ200. Considerando que a picape pequena usualmente serve como ferramenta de trabalho, e que o motorista pode passar horas ao volante, uma caixa com engates precisos e operação suave não apenas traz mais prazer ao dirigir, como torna a condução menos cansativa.
De forma geral, a Saveiro é uma picape com boa dinâmica. A boa oferta de torque para um veículo de apenas 1.076 kg e a ergonomia acertada melhoram a experiência, mesmo em um projeto que teve pouquíssimas mudanças desde que a atual geração foi lançada, em 2010.
Estar em linha por tanto tempo também significa que o modelo atende às necessidades do público. E, como instrumento de trabalho, a Saveiro é uma excelente escolha. Tanto que, em 2025, 95,3% das 67.752 unidades foram destinadas a vendas diretas. E olha que a picapinha até dispõe de uma versão topo de linha com proposta mais familiar, a Extreme Cabine Dupla.
Com a Saveiro, a Volkswagen conseguiu criar um veículo apto para transportar centenas de quilos na caçamba usando a mesma arquitetura de suspensão traseira de um carro de passeio: eixo de torção com molas helicoidais. Ainda falando sobre o eixo posterior, há freios a disco, um diferencial no segmento.
No levantamento do Qual Comprar 2025, a Volkswagen Saveiro registrou a cesta de peças mais barata entre os mais de 180 veículos avaliados. O kit, composto por farol direito, retrovisor direito, para-choque dianteiro, lanterna direita, filtros de combustível, ar-condicionado, ar e óleo do motor, jogo de quatro amortecedores e pastilhas de freio dianteiras, foi orçado em R$ 6.006, cerca de R$ 200 mais em conta que o da rival, Strada.
Ainda sobre custos, a Saveiro perde pouco valor no mercado de usados. Ainda que a desvalorização seja mais alta que a da concorrente, o índice de depreciação de 3,5% em um ano fornecido pela Indicata, empresa que processa diariamente 600 mil anúncios no Brasil todos os dias, é uma marca respeitável. Em um segmento em que a compra é racional, perder menos dinheiro é essencial.
O índice da Indicata considera o preço médio do anúncio de modelos com três anos de uso e 60 mil km rodados. Ou seja, se o valor inicial da Saveiro era de R$ 100 mil em fevereiro de 2025, atualmente, o mesmo carro vale R$ 96.500. Nada mau.
Com quase 45 anos de produção ininterrupta, a Saveiro é o carro mais antigo da Volkswagen no Brasil. Em quatro décadas, claro que a picape evoluiu. Mas está há 16 anos na mesma geração. Quando sair de linha, provavelmente ao longo de 2027 — a produção deve ser encerrada no fim deste ano, deixando diversas unidades em estoque no começo do ano que vem —, vai encerrar um capítulo importante na história da marca e colocará fim ao último resquício deixado pelo saudoso Gol no mercado: a plataforma PQ24.
O projeto antigo cobra seu preço. A Saveiro não tem recursos avançados de segurança, como frenagem de emergência ou mesmo uma carroceria mais resistente a colisões. Também fica devendo coisas mais simples, como ajuste milimétrico de altura do banco do motorista e direção elétrica. A assistência ainda é hidráulica.
Não que os números da Saveiro sejam vergonhosos. Longe disso: na configuração Cabine Simples, a picape pode carregar 664 kg e tem caçamba com volume teórico máximo de 1.027 litros. No entanto, a Strada Cabine Simples tem capacidades melhores. Pode carregar, por exemplo, 720 kg, ou seja, 66 kg a mais. No volume, a picape da Fiat acomoda 1.354 litros, uma diferença de 327 l.
Uma ressalva positiva para a Saveiro é que a tampa da caçamba no modelo da Volkswagen tem uma mola que facilita a abertura.
Como dito acima, a Saveiro é equipada com motor 1.6 aspirado da família EA211. Com maior deslocamento volumétrico, mais potência e torque, seria natural que o consumo fosse pior que o da Strada. E é exatamente isso que acontece.
Considerando os números do Inmetro, a Saveiro perde em todos os cenários para a rival, seja com gasolina ou etanol. A diferença é considerável. Na comparação direta, a picape da Volkswagen, na estrada, é mais beberrona que a concorrente na cidade. Confira a tabela abaixo:
Enquanto a Strada passou a contar com cabine mais ampla, uma espécie de opção intermediária entre a simples e a estendida, a Saveiro deixou de oferecer uma opção estendida há alguns anos. Quem quiser uma Robust com mais espaço, precisa investir quase R$ 20 mil a mais e levar uma picape com cabine dupla, o que prejudica o espaço na caçamba.
Já a cabine simples tem pouco espaço atrás dos bancos. Outro ponto negativo é a ausência de itens de conforto, como um simples rádio. Logo, também não há comandos de som no volante. Por fim, a chave é do tipo canivete, mas não tem um simples alarme.
A Saveiro é um dos poucos veículos novos à venda no Brasil com direção hidráulica. Mesmo modelos claramente voltados para o trabalho já trazem assistência elétrica. É o caso, novamente, da rival Strada.
Além da operação que exige mais esforço do motorista (novamente lembrando que um trabalhador pode passar horas ao volante todos os dias entre entregas ou prestação de serviços), há um outro fator sem ligação direta, que é o diâmetro de giro da picape. São necessários 12,3 metros para fazer um giro completo na Saveiro, contra 10,8 m da Strada.
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Fonte: direitonews





