Quando concedeu uma entrevista exclusiva à Autoesporte em setembro do ano passado, o CEO global da Volkswagen, Thomas Schäfer, havia mencionado que a marca estava trabalhando para que seus novos carros elétricos mantivessem a conexão com o legado da marca e de seus modelos icônicos. “Uma das maiores críticas que recebemos foi por abandonar nomes icônicos. Dissemos: ‘Ok, mas, se fizermos um ID. Polo, tem que ser um Polo de verdade’. Não podemos dar um nome icônico a algo que não é”, comentou na época.
A declaração surgiu no esteio da revelação do ID. Polo, uma espécie de nova geração elétrica do Polo feita para a Europa, e do ID. Cross Concept, protótipo que deve dar vida a uma segunda encarnação do SUV T-Cross no velho continente, igualmente elétrica. Por enquanto, o ID. Polo foi revelado apenas sob camuflagem externa, mas, neste sábado (3), a Volkswagen confirmou diversas especificações técnicas e divulgou as primeiras imagens da cabine do hatch elétrico. E com direito a algumas surpresas.
Construído sobre uma profunda atualização da plataforma dedicada a veículos elétricos do grupo, a MEB+, o Volkswagen ID. Polo será um hatch convencional em diversos aspectos. A começar pela motorização dianteira e transversal, abandonando a primeira (e fracassada) geração de elétricos da marca com motor e tração traseiros.
Isso permitiu gerar um veículo com dimensões típicas de um hatch compacto, porém com espaço interno generoso. O ID. Polo mede 4,05 metros de comprimento – 2 cm a menos do que o atual Polo brasileiro –, porém com 2,60 m de entre-eixos – 3 cm a mais – e generosos 435 litros de porta-malas – no atual Polo brasileiro, temos 300 litros. O ID. Polo também é cerca de 6 cm mais largo – 1,82 m de largura – e 6 cm mais alto – 1,53 m de altura – do que o Polo a combustão feito no Brasil.
Outra curiosidade é o uso de motorizações chamadas “AP”. Antes que os “APzeiros” de plantão se animem muito, saiba que estamos falando de um motor elétrico que na verdade se chama APP 290 (o número representa o torque, sempre padronizado em 290 Nm ou 29,6 kgfm. Além de dianteiro e transversal, o propulsor é menor, mais leve e tem um conjunto elétrico auxiliar, como por exemplo o inversor, muito mais compacto que o dos primeiros elétricos da Volkswagen, como o ID.4 que chegou a ser oferecido no Brasil em planos por assinatura. Isso ajuda a poupar peso e ampliar o espaço útil.
No ID. Polo, serão quatro especificações de potência: 116 cv, 135 cv, 211 cv ou 226 cv, sendo esta última calibração aplicada a uma versão esportiva que se chamará ID. Polo GTI. Nas duas versões menos potentes, as baterias serão de 37 kWh do tipo LFP (ferro-lítio-fosfato), com potência de carregamento de até 90 kW em corrente contínua (DC) e 300 km de autonomia estimada no ciclo europeu WLTP. Aqui, uma recarga entre 10% e 80% pode ser feita em 27 minutos.
Já as versões mais potentes usarão baterias do tipo NMC (níquel-manganês-cobalto), também por íons de lítio, porém com maior densidade energética. Assim, atingem uma autonomia de 450 km (WLTP) e permitem um carregamento rápido a até 130 kW, o que reduz o tempo de recarga entre 10% e 80% para 23 minutos.
E enquanto as variantes de 116 cv e 135 cv atingem velocidade máxima de 160 km/h, as de 211 cv e 226 cv chegam a 175 km/h. Os dados oficiais de 0 a 100 km/h ainda não foram revelados. O peso de todas as versões ficará na casa dos 1.500 kg. A suspensão é McPherson na dianteira e por eixo de torção na traseira, enquanto os freios serão a disco nas quatro rodas.
Por fim, o painel. Aqui, a Volkswagen resolveu colocar um quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas com uma função chamada “visões retrô”, que proporciona um grafismo de instrumentação inspirado no Golf de primeira geração reestilizado, vendido no começo dos anos 1980. Esse tipo de cluster não esteve presente diretamente no Brasil, mas serviu de padrão para criar os quadro de instrumentos de todos os Volkswagen nacionais da época, do Gol ao Santana, passando por Voyage, Passat e cia.
Surpreende a presença de recursos como massagem nos bancos dianteiros. A central multimídia de de 13 polegadas é totalmente destacada do painel e o volante multifuncional, inédito, tem diversos botões, em uma espécie de contraponto aos elétricos chineses e seus cockpits extremamente minimalistas.
Apesar disso, o ID. Polo tem poucos comandos físicos a bordo: retrovisores e vidros elétricos no puxador da porta do motorista; dos faróis à esquerda do volante; do ar-condicionado, abaixo da central multimídia; alavancas do limpador de para-brisa e câmbio na coluna de direção; e um único seletor giratório para desligar ou controlar o volume do áudio no console central. As maçanetas das portas foram adaptadas do novo T-Roc.
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Fonte: direitonews





