Durante a apresentação do T-Roc 2026 na Europa, a Volkswagen divulgou detalhes sobre o motor 1.5 TSI Evo2 e os novos sistemas híbridos que também serão adotados no Brasil a partir de 2027. Com anos de atraso em comparação com a Toyota, a marca alemã enfim terá um conjunto híbrido pleno (HEV), que será apresentado no SUV europeu nos próximos meses.
Pouco a pouco, o quebra-cabeça dos próximos passos da Volkswagen quanto à eletrificação vai se formando — primeiro com o investimento de R$ 13 bilhões nas fábricas de São Paulo anunciado o ano passado, depois com os protótipos flagrados em testes no Brasil e, mais recentemente, com um deslize do CEO Thomas Schäfer, que deixou escapar “spoilers” sobre o assunto.
Autoesporte revela quais são as principais características dos novos conjuntos híbridos da Volkswagen e o que esperar da adoção destes novos sistemas nas próximas gerações de Nivus e T-Cross.
O motor 1.5 TSI Evo2 a gasolina não chega a ser novidade no mercado europeu, sendo oferecido desde 2022. Este é o propulsor que a Volkswagen vai produzir em São Carlos (SP) a partir do ano que vem, com adaptações que vêm sendo feitas pelo menos desde 2023 para se tornar flex.
A unidade tem turbocompressor, quatro cilindros em linha e injeção direta de combustível, assim como o atual 1.4 TSI. Contudo, funciona em ciclo Miller. Também é oferecida com um único módulo de controle de emissões formado pelo catalisador e um filtro de partículas, ajudando a aumentar a eficiência térmica.
Outra novidade é o sistema ativo de gerenciamento dos cilindros (o chamado ACTplus), que permite a ativação ou desativação dos dois pistões centrais, dependendo da condição de rodagem. Segundo a Volkswagen, sua atuação é sutil e praticamente imperceptível ao motorista comum.
Este motor também passou por ajustes de pressurização, chegando a 350 bar, e foi calibrado para reduzir o atrito dos pistões com as paredes dos cilindros. Tenha em mente que é esse motor a combustão que equipará os dois conjuntos híbridos flex que iremos elaborar a seguir:
Apesar de a Volkswagen ainda não ter confirmado detalhes como capacidade da bateria ou tensão da arquitetura elétrica, a imagem da plataforma MQB 37 acima revela que se trata de um conjunto híbrido pleno. Afinal, os cabos alaranjados são utilizados em sistemas de alta tensão, suportando maior transferência de energia.
O motor 1.5 TSI Evo2 aparece na dianteira, montado ao lado do compressor do ar-condicionado. O módulo elétrico está instalado no câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas (DSG). Há um conversor de alta tensão (12V DV/DC) instalado próximo à bateria no eixo traseiro. Como dissemos, a capacidade deste conjunto ainda não foi divulgada.
Este é o conjunto que o CEO da marca, Thomas Schäfer, afirmou que a fabricante desenvolveu para atender tanto o mercado europeu quanto a América do Sul (incluindo o Brasil). Assim, os próximos carros nacionais da Volkswagen terão mecânica parecida com a dos Toyota Corolla, Corolla Cross e Yaris Cross.
Conforme descrito acima, em alemão, o motor 1.5 TSI Evo2 terá duas calibrações diferentes no conjunto HEV da Volkswagen: 130 cv (96 kW) ou 150 cv (110 kW). Com o auxílio do motor elétrico, na na Europa e com gasolina, as potências combinadas chegarão a 136 cv ou 170 cv, respectivamente, sempre com 31,8 kgfm de torque.
Conforme apurado por Autoesporte, esta versão mais potente foi a escolhida para o mercado brasileiro, representando um upgrade em comparação com a atual mecânica 1.4 TSI, que entrega 150 cv e 25,5 kgfm. Informações sobre consumo de combustível e capacidade da bateria serão divulgadas durante a apresentação oficial do T-Roc no ano que vem.
Embora seja um híbrido pleno, a autonomia em modo apenas elétrico deve ser de apenas alguns poucos metros, como já acontece nos Toyota. O foco do sistema elétrico é ajudar o veículo a ter índices mais altos de eficiência e consumo na faixa entre 15 e 20 km/l. Tampouco haverá recarga externa. As baterias serão alimentadas sempre pelo próprio 1.5 turbo e pelas frenagens regenerativas.
Para os pacotes de entrada do T-Roc, à venda já a partir de novembro deste ano, a Volkswagen preparou um conjunto híbrido leve (MHEV) de 48V. Neste caso, o motor 1.5 a combustão funciona com uma pequena máquina elétrica de 19 cv e 5,8 kgfm instalada no câmbio DSG. Na Europa, são duas calibrações: de 116 cv ou 150 cv combinados, ambas com 25,5 kgfm.
Este sistema híbrido leve oferece um pequeno gerador elétrico que proporciona apoio temporário de potência e torque e serve como “superalternador”. O componente é responsável por carregar uma bateria auxiliar de 48 volts. Diferentemente do sistema adotado pela Audi, não pode mover as rodas apenas em modo elétrico.
Onde este motor se encaixaria no mercado brasileiro continua incerto. A Volkswagen pode combiná-lo ao motor 1.5 turbo para equipar os pacotes intermediários das próximas gerações de Nivus e T-Cross. Não há uma posição oficial sobre o assunto.
Essa mecânica, segundo fontes ligadas ao projeto, ainda não é compatível com o motor 1.0 TSI que equipa Polo, Tera e as versões mais baratas de Nivus e T-Cross. Então, a marca terá de desenvolver essa nova opção no Brasil se tiver interesse em concorrer com os SUVs da Stellantis. O sistema que equipa Pulse e Fastback, porém, é ligeiramente mais simples, com somente 12V.
A próxima geração do Nivus está em fase de testes e será lançada em 2027. O SUV compacto será produzido em São Bernardo do Campo (SP), na fábrica da Anchieta, ao lado do novo T-Cross.
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Fonte: direitonews