Para este especial, minha missão foi dirigir a líder de vendas entre as picapes médias: a Toyota Hilux, que vendeu 49.732 unidades em 2025. Afinal, picapes médias a diesel têm fama de entregar uma alta autonomia, muitas vezes acima de 800 km. Será que a Hilux nos entrega isso? Seu motor é o 2.8 turbodiesel de 204 cv de potência e 50,9 kgfm de torque, com câmbio automático de seis marchas e tração 4×4.
Este teste faz parte do especial “Os Reis da Autonomia” publicado na edição 718 da Autoesporte. Clique aqui para conferir as outras avaliações.
Ao todo, percorri 680 km com uma Hilux SRX Plus, versão de topo do modelo, vendida a R$ 357.890. Foram 176 km na cidade e 504 km na estrada, ou seja, 74% do trajeto em rodovias, já que viajei duas vezes para Peruíbe, litoral sul de São Paulo, onde moram meus pais. E já adianto — e confesso — que esperava números melhores de consumo.
No primeiro dia com a picape, o tanque de 80 litros estava completo e o painel de instrumentos indicava 672 km de autonomia. Com base no consumo rodoviário de 10 km/l segundo o Inmetro, o alcance projetado é de até 800 km. Após duas jornadas de ida e volta a Peruíbe (SP), registrei 8,5 km/l na estrada com o ar ligado, bem longe do consumo homologado da picape.
Alguns fatores explicam a variação. O primeiro é o trânsito de fim de ano para descer da capital para o litoral paulista: sempre uma aventura. Levei 3 horas em um percurso que geralmente dura 1 hora e 40 minutos.
Outra questão é que, embora a picape estivesse longe de sua capacidade máxima de carga (1 tonelada), viajei sempre com bagagens na caçamba e passageiros a bordo, inclusive dois cachorros. Além disso, choveu forte em um dos trajetos, o que por si só prejudica o consumo. Mesmo assim, considerando os longos trechos de descida na Rodovia dos Imigrantes, esperava uma média melhor.
Na segunda descida rumo ao litoral, apesar de ter ainda cerca de um terço de tanque, abasteci a Hilux, por questões de segurança. O computador de bordo me dava 183 km de autonomia e eu estava com uma pessoa idosa a bordo, podendo enfrentar um trânsito árduo. Portanto, completei o tanque com diesel — paguei R$ 5,99 o litro, preço bastante razoável levando em conta a média atual de R$ 6,12 no Brasil, segundo a Petrobras. E lá fui eu de novo.
No geral, foram 18 dias com a Hilux SRX Plus e, apesar de não ser fácil dirigir uma picape desse tamanho na cidade, ela me atendeu muito bem. Um ponto ruim é que o consumo urbano em meu teste também ficou abaixo do apontado pelo Inmetro. Nos 176 km rodados dentro de São Paulo e de Peruíbe, sempre com o ar ligado, registrei 7,4 km/l, enquanto o PBEV divulga média de 9,3 km/l.
Certo que também peguei alguns pontos de trânsito, ainda mais na praia, mas novamente frustrou minha expectativa. Ao todo, foram usados 85,4 litros de diesel. Fazendo as contas, a Toyota Hilux cumpriu uma autonomia total de 648 km, ficando 24 km abaixo do prometido pelo computador de bordo e mais de 150 km aquém da autonomia declarada pelos números do Inmetro.
Apesar disso, aproveito para dizer que gosto muito desse motor da Toyota. Além de confiável, é robusto e administra bem as mais de 2 toneladas de peso da caminhonete. Uma questão é que, sendo fiel ao conceito de “picape raiz”, a Hilux é um dos poucos veículos leves novos à venda no Brasil com direção hidráulica em vez de elétrica, mesmo em sua versão mais cara. Isso deixa o volante mais pesado e dificulta na hora de manobrar, algo que senti durante esses quase 20 dias. Além disso, quem vai na cabine sente muito o “chacoalhão” do chassi sobre as longarinas, algo característico de picapes médias, mas ainda mais proeminente na Hilux.
Por outro lado, se tem uma coisa que me ajudou muito foi o fato de a versão SRX Plus vir de série com capota marítima, item opcional na maioria das rivais. Na segunda viagem, precisei levar muitas coisas na caçamba e choveu forte na estrada. A capota foi minha grande aliada para não molhar a bagagem. A verdade é que a Hilux sente o peso da idade. São mais de dez anos sem trocar de geração, e isso influencia no dia a dia de quem dirige essa picape. Sua atualização será produzida na Argentina muito em breve.
O painel de instrumentos é analógico e há uma pequena tela TFT no centro, além da central multimídia de 9” com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, que travou algumas vezes no caminho. Ainda assim, e embora não ofereça recursos já entregues por rivais, como alerta de ponto cego, a Toyota Hilux é sinônimo de robustez . É uma pena ter ido um pouco “menos longe” do que eu esperava em autonomia.
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Fonte: direitonews





