O Peugeot 208 GT Hybrid foi minha escolha para o recesso de fim de ano. Como minha esposa está grávida, decidimos passar esse período em São Paulo para descansar. Também aproveitei para colocar os treinos em dia e cheguei à marca de 40 km totais percorridos nas corridas ao longo dos feriados — bem menos que os 266 km em que estive ao volante do hatch compacto, anunciado no site por R$ 136.490, mas negociado a R$ 128.490 nas lojas.
Este teste faz parte do especial “Os Reis da Autonomia” publicado na edição 718 da Autoesporte. Clique aqui para conferir as outras avaliações.
Nossa permanência na cidade foi providencial para eu testar o carro híbrido leve para o especial de autonomia. Afinal, a tecnologia MHEV tem como grande vantagem a melhora no consumo urbano. Uma das razões para isso é a adoção do sistema start-stop, que desliga o motor em paradas como congestionamentos e semáforos e religa assim que o condutor tira o pé do freio. Vale dizer que o recurso não pode ser desativado no Peugeot 208, o que pode irritar alguns motoristas. Não é o meu caso.
Mas qual foi o consumo médio do hatch francês? A economia é considerável? Abordarei esses e outros tópicos a seguir; antes, vamos entender os alicerces desse conjunto híbrido leve e o que foi feito para torná-lo mais econômico — se é que está.
O Peugeot 208 tem motor 1.0 turbo flex de 130 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, atrelado ao câmbio CVT que simula sete marchas. O sistema híbrido traz um gerador por correia que cumpre o papel de “superalternador” e de motor de arranque, ou seja, opera tanto na partida quanto no sistema start-stop, novidade na linha 2026.
O conjunto conta ainda com uma pequena bateria de 12V e 0,125 kW, instalada sob o banco do motorista. Já o pequeno motor desenvolve 4 cv de potência e 1 kgfm de torque em momentos estratégicos e não traciona sozinho o modelo.
Ao volante, o pequeno Peugeot segue ágil, leve e reativo para usar no dia a dia. A maior diferença em relação às versões sem eletrificação é o start-stop. Mas achei que o sistema poderia ter funcionamento mais suave ao despertar o motor 1.0 turbo. Apesar disso, senti um comportamento esperto nas saídas de semáforo — diferentemente dos Volkswagen, que têm uma queda súbita de potência.
Quanto à dirigibilidade, destaco o câmbio CVT, bem entrosado com o motor 1.0. Nota-se, especialmente durante as ultrapassagens, que o conjunto opera com muita suavidade. Para melhorar, acelera de 0 a 100 km/h em 8,6 segundos.
Graças à atualização, o Peugeot 208 GT está, de fato, mais econômico. De acordo com o Inmetro, passou de 12 km/l para 13 km/l em circuito urbano e de 13,7 km/l para 13,8 km/l na estrada. Lembra da vocação para a cidade? Os números só comprovam a tese. Mas como é o consumo na prática, dirigindo no dia a dia? Retirei o 208 GT com o tanque cheio de gasolina. Registrei a quilometragem inicial (4.247 km), já que o hatch não faz leitura parcial, e comecei a dirigir.
Antes de encerrar o teste, passei no posto para completar o tanque. O odômetro marcava 4.513 km — portanto, 266 km totais percorridos. Até o clique da bomba entraram 29,7 litros de gasolina, ao preço de R$ 177,66. Assim, o consumo nessas duas semanas, circulando somente na cidade e com o ar-condicionado ligado, foi de 9 km/l, 44,4% pior do que os 13 km/l declarados.
Embora o consumo na vida real deixe a desejar, o Peugeot 208 agradou por sua proposta. É um hatch com visual esportivo, rodas de 17 polegadas que fogem do comum e uma identidade luminosa marcante.
Por ser pequeno (4,05 m de comprimento) e acanhado (2,53 m de distância entre-eixos), até passageiros de baixa estatura terão seus meniscos esmagados no banco traseiro, onde há o empecilho do túnel central elevado.
Igualmente acanhado é o porta-malas de 265 litros, abaixo dos 300 litros disponíveis no Volkswagen Polo. Ficou claro que o 208 é um carro para um casal sem filhos, pois até o ângulo de abertura das portas traseiras — sim, já estou reparando nisso — dificulta instalar um bebê conforto.
Quanto ao pacote de equipamentos, traz painel de instrumentos 3D de 10’’, central multimídia de 10,3’’ com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, ar-condicionado digital e teto panorâmico com persiana manual.
No acumulado de 2025, apenas 9,8 mil unidades do Peugeot 208 foram vendidas no Brasil. Talvez exista um pouco da “herança maldita” da desvalorização, embora os indicadores mais recentes demonstrem que isso deixou de ser um problema: estudo da Mobiauto mostra que o 208 teve depreciação de 13,1% no período de dois anos.
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Fonte: direitonews






