Teste: o que o Fiat Mobi Trekking 2026 oferece (ou não) por quase R$ 85 mil


O primeiro teste escrito por mim e publicado na Autoesporte, lá na edição de setembro de 2021, foi do Fiat Mobi Trekking. Na época, afirmei que o pequeno hatch era um aventureiro de mochila. O pessoal da Fiat não gostou muito. Passados quatro anos, cá estamos novamente, eu e o Mobi. Mas, de lá para cá, mudamos. Os cabelos brancos e quilos a mais (no meu caso) não me deixam mentir.

Do lado do Mobi, bem, há evoluções. Por força da lei, é verdade, o subcompacto abandonou o antiquado motor 1.0 Fire de quatro cilindros e 8V para adotar o moderno e eficiente 1.0 três-cilindros Firefly de 6V. Talvez você não se lembre, mas a combinação não é inédita.

Tal opção foi oferecida entre 2017 e 2020 nas versões topo de linha, inclusive com possibilidade de câmbio automatizado, mas acabou saindo de cena. Com as normas de emissões mais rígidas do Proconve L8, a Fiat decidiu trazer de volta o eficiente motor Firefly ao cardápio, dessa vez para ficar.

O que também mudou de 2021 para cá foi nosso padrão de medições de consumo. De olho nas preferências dos brasileiros, trocamos o etanol pela gasolina e agora realizamos os ensaios com o ar-condicionado ligado. Logo, não conseguimos comparar o consumo de combustível do “novo” Mobi com o da versão anterior.

A boa notícia é que o Mobi com novo coração é um carro econômico. Cravou 12,5 km/l na cidade, chegando a uma autonomia urbana de 550 km, alegrando motoristas de aplicativos e outros eventuais clientes que poderão ir ao trabalho e voltar por uma semana sem precisar abastecer.

Quem usa o pequeno Fiat como carro de trabalho também ficará grato ao saber que a marca italiana finalmente trocou a direção hidráulica pela assistência elétrica. Além do alívio para os braços, sobretudo em baixas velocidades, o carrinho ficou mais prazeroso de dirigir.

Os xingamentos quase saíram da boca de meus colegas de redação quando disse que me diverti ao volante do Mobi em um fim de semana. Ok, admito certa dose de exagero, mas a evolução é evidente e pode ser amparada em números. Segundo a Fiat, o Mobi Trekking 2026 leva 13,8 segundos para ir de zero a 100 km/h, 1 s mais rápido que a versão anterior, com motor Fire. E olha que o desempenho poderia ser ainda melhor. A versão feita para atender ao PL8 foi “capada”. Em vez de preservar os 77 cv e 10,9 kgfm lá de 2017, o Mobi Trekking 2026 tem 75 cv de potência e 10,3 kgfm de torque.

A potência máxima também chega um pouco antes, a 6 mil rotações por minuto. Ao volante, o motorista tem à disposição um carrinho ágil, com boas arrancadas e necessidade constante de trocar de marcha, graças às relações curtas do câmbio manual de cinco marchas. Aqui, adoraria dizer que a caixa está com engates melhores, mas não foi dessa vez que a Fiat mexeu na transmissão. A alavanca de curso longo limita o prazer de dirigir.

Como disse, as primeiras relações são bastante curtas, o que reforça novamente a vocação citadina do Mobi. Conforme a velocidade aumenta, o fôlego diminui, mostrando que é um carro feito para os grandes centros. Outro indicativo disso é que o consumo rodoviário foi 0,2 km/l pior que o urbano, cravado em 12,3 km/l.

A pequena empolgação de dirigir o Mobi só é cortada pela falta de conforto a bordo. O banco do motorista não foi feito para pessoas mais corpulentas, consequência de uma carroceria estreita — tem menos de 1,70 metro de largura. A densidade da espuma também passa longe de ser ideal, fazendo a coluna reclamar depois de um par de horas ao volante. Tal característica se repete no banco traseiro.

Olha que o Mobi é um carro muito popular entre motoristas de aplicativo, que costumam passar horas e horas no trânsito todos os dias. Pior para quem precisa encarar um entre-eixos de apenas 2,30 m ou o minúsculo porta-malas de 200 litros (o do rival direto, Renault Kwid, tem 290 l).

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Mas seria uma injustiça dizer que o pequenino não aguenta o tranco. Estamos diante de um verdadeiro soldado que enfrenta com valentia a batalha nas grandes cidades. Na versão Trekking, o vão livre em relação ao solo é de 19 centímetros. O número é idêntico ao de um Volkswagen T-Cross, por exemplo. Ou seja, dá para passar em valetas e lombadas sem tanta preocupação. O acerto de suspensão também reforça essa vocação.

A Fiat aproveitou a troca de motor para fazer uma ligeira mudança na cabine. Na linha 2026, o painel antigo, usado desde o lançamento, foi trocado pelo da Strada, picape com a qual o Mobi compartilha plataforma e portas dianteiras. As saídas de ventilação estão maiores e o nicho da central multimídia tem bordas retas no lugar de traços arredondados. Na versão Trekking, a tela de 7″ vem de série. Tem tamanho adequado para o porte do carro, além de recursos mais modernos, como conexões Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

Já que chegamos ao quesito equipamentos, a lista não é tão longa. Há os necessários ar-condicionado, vidros e travas elétricos, volante com regulagem de altura (alô, Volkswagen Polo Track) e comandos de som, sensor de pressão dos pneus e computador de bordo monocromático de 3,5″.

O Mobi 2026 ganhou também uma discretíssima atualização estética. Os adesivos da versão Trekking foram redesenhados e, em minha opinião, estão um pouco menos chamativos que os de seu antecessor. Maçanetas externas e capa dos retrovisores são de plástico preto brilhante. Caso o cliente tope pagar R$ 790 extras, terá o teto do carro também pintado em tom escuro. Curiosamente, se optar por uma pintura metálica, não é preciso pagar nada além dos R$ 1.790 que a Fiat cobra pelos tons cinza e prata.

Falando em cobrar, há uma pegadinha. O carro das fotos é equipado com dois pacotes opcionais. O truque é que, embora exibidos separadamente, um não pode ser incluído sem que o outro venha junto. Estamos falando dos kits Top (que, por R$ 2.000, traz sensor de estacionamento traseiro e rodas de liga leve de 14 polegadas) e Essencial (por R$ 990, adiciona cintos dianteiros com regulagem de altura, abertura do tanque e do porta-malas na cabine, faróis de neblina e retrovisores elétricos com rebatimento automático ao acionar a ré).

São recursos interessantes, mas elevam o preço do Mobi para R$ 87.270, mais até que os R$ 86.990 cobrados por um Citroën C3 Feel, com o qual o pequenino Fiat compartilha o conjunto mecânico. Só que o hatch da marca francesa, além de ter projeto mais moderno, é muito maior em espaço interno e porta-malas.

Se você preferir ficar na linha Fiat, meu conselho é buscar um Argo Trekking seminovo. Não é difícil encontrar unidades de 2024 com motor 1.3 e câmbio CVT com menos de 40 mil km rodados. Nessa comparação, apesar de o Mobi ser um carro 0 km, também fica em desvantagem no espaço e na motorização. Sobretudo, o Argo ainda tem câmbio automático.

Sei que para todo carro novo existem dezenas de opções de seminovos mais completos por preços da mesma faixa. Também entendo que muita gente busca no veículo zero-quilômetro o sossego de ter uma garantia de fábrica. E realmente me esforcei para terminar este texto de uma forma diferente daquele de 2021, mas continuo achando uma aventura pagar quase R$ 90 mil por um subcompacto com espaço limitado e câmbio manual. Há opções melhores, tanto no mercado de novos como no de usados.

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Fonte: direitonews

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