Teste: novo Volkswagen Taos tem chance contra Compass e híbridos chineses?


Embora o Volkswagen Taos seja o SUV médio da segunda fabricante que mais vende carros no país, é consenso que seu desempenho nas vendas sempre esteve aquém do esperado. Em outras palavras, o brasileiro não comprou a ideia — e, enquanto isso, Compass, Corolla Cross e os vários SUVs chineses lançados posteriormente nadaram de braçada nesse disputado segmento.

Bom, o Taos 2026 passou por um “glow up”, recebeu novo câmbio automático e ficou mais barato nessa reestilização de meia-vida. Dirigimos a versão Highline (R$ 209.990) para descobrir se, de fato, ele virou um “Tiguanzinho”. Ainda levamos o SUV reestilizado à pista do Rota 127 Campo de Provas para descobrir se a nova combinação interfere positivamente nos números.

Antes, vamos às novidades: o Taos trocou de nacionalidade, mas ainda fala espanhol. Foi descontinuado em Buenos Aires (Argentina) e agora vem de Puebla (México), unidade que já abastece o mercado norte-americano. É a mesma fábrica de Tiguan e Jetta.

Com a troca de fábrica veio um visual mais afiado, com novos faróis e LEDs (que formam um “X” no canhão), grade com filete luminoso (incluindo o logotipo da VW) e um para-choque mais invocado. As rodas de 18 ou 19 polegadas também foram redesenhadas e poderiam facilmente equipar uma versão R-Line — que, por enquanto, não existe.

Para a traseira, a Volkswagen claramente se inspirou no T-Cross. Sai o design absolutamente sem graça do modelo argentino para dar lugar às lanternas interligadas com acabamento fumê da versão mexicana. Bebendo da fonte dos carros chineses, o logotipo traseiro da Volkswagen se acende na cor vermelha. É um jogo de luzes muito bonito, especialmente à noite, o que mostra que o “glow up” deu certo.

Fiquei surpreso ao entrar na cabine e me deparar com o acabamento emborrachado nas portas dianteiras e em toda a parte superior do painel. O toque esbanja qualidade e faz inveja a carros nacionais mais caros, como o “primo rico” Audi Q3 produzido no Paraná. Nas portas traseiras, como de costume, continua o plástico duro, mas os materiais são de qualidade e a montagem se mostra sólida e robusta. Não há aquela sensação “oca” ao dar toques fortes na superfície.

Gostei da central multimídia flutuante de 10,1 polegadas que roda o sistema VW Play, com gráficos vívidos e cristalinos, embora escorregue ao oferecer conectividade sem fio e apenas para o Apple CarPlay. Donos de Android, dessa vocês ficaram de fora. Ah, e se for comprar um cabo, que seja do tipo USB-C — a única entrada disponível no SUV. Por fim, um carro desse porte merecia uma câmera 360 graus para auxiliar nas manobras em vagas apertadas, como nos chineses.

O ar-condicionado de duas zonas tem uso desnecessariamente complicado porque não há teclas, apenas superfícies táteis. É difícil mudar a temperatura ou a velocidade do vento sem olhar para o console, o que torna a experiência menos prática. A própria Volkswagen notou que a abordagem não foi bem–aceita e substituiu os comandos por botões físicos em outros mercados.

Outro item que falta ao Taos é tampa do porta-malas com abertura motorizada. Os rivais Compass e Corolla Cross oferecem o recurso. Imaginava que, por ter sido transferido para a fábrica do Tiguan no México, a Volkswagen instalaria o mecanismo. Por enquanto, não rolou. O porta-malas, vale lembrar, tem 498 litros e bom aproveitamento de espaço. Já o pacote de auxílios eletrônicos inclui ACC, frenagem automática de emergência e alerta de ponto cego.

Enfim, foi feita uma atualização mecânica. Sob o capô está o já conhecido — e longevo — motor 1.4 turbo flex da família TSI, com 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque. A diferença fica por conta do câmbio automático que agora traz oito marchas, em comparação com as seis relações anteriores.

Aqui, vale um adendo. A marca havia promovido a alteração meses antes, ainda nas unidades argentinas pré-reestilização. Agora, com o restante das mudanças, pudemos testar o SUV para responder a perguntas como: Quanto isso pode interferir na dirigibilidade de um carro? Tem o mesmo atraso no pedal do acelerador de outros Volkswagen? Levamos o Taos ao Rota 127 Campo de Provas para descobrir.

Com gasolina no tanque, o Taos levou 10,1 segundos para atingir 100 km/h — 0,8 s mais lento do que o dado declarado de fábrica. Já a retomada de 60 km/h a 80 km/h foi realizada em 4,1 s, o mesmo resultado que aferimos em 2021 com etanol, combustível que tem maior octanagem (resistência à detonação) e proporciona desempenho mais “aceso” ao SUV. Confira todos os resultados do Volkswagen Taos em pista ao final desta avaliação.

Dirigindo no anda e para da cidade, o câmbio nem sequer aparenta ter sido substituído. Trocas de marcha são suaves e sem solavancos ou momentos de hesitação. Nota-se programação para manter o giro em rotações mais baixas com a finalidade de economizar combustível e reduzir ruídos. É aí que as duas marchas extras fazem diferença para desafogá-lo.

Dirigindo a 90 km/h em uma via expressa, o Taos logo avança da sexta para a oitava marcha de uma vez. O esforço torna-se menor para mantê-lo nessa velocidade, funcionando como uma espécie de “overdrive” (marcha de cruzeiro de alta eficiência). A reatividade se apresenta quando o motorista pisa abruptamente no acelerador: assim, o Taos reduz várias marchas em segundos para entregar o torque necessário em ultrapassagens e retomadas, sem o atraso que assombra os motores 1.0 turbo da marca.

Em nosso teste, aferimos o consumo de 11,7 km/l na cidade e 14,2 km/l na estrada com gasolina, voltando a superar os dados do Inmetro, que apontavam 11,1 km/l e 13,3 km/l, respectivamente. Esses resultados já não provocam brilho nos olhos de quem se acostumou com os SUVs híbridos plug-in chineses lançados aos montes nessa faixa de preço. O Song Pro GL, por exemplo, custa R$ 199.990, tem 235 cv e, dependendo da forma de dirigir, faz 30 km/l em ciclo urbano.

De um SUV sem molho e com visual careta, o Taos se transformou em algo mais interessante. O upgrade dos materiais da cabine e o estilo esportivo remetem ao Tiguan, o que pode ser uma correlação natural para quem pensa em adquiri-lo. Segue como uma escolha segura para um cliente mais conservador.

Porém, por esse preço, é difícil indicar a compra de um carro a combustão com receita da década passada, mesmo com atualizações convincentes. A tendência é de que ele continue sofrendo com Compass e Corolla Cross, além, claro, dos rivais chineses, especialmente o já mencionado Song Pro e o GWM Haval H6 HEV, que parte de R$ 223 mil.

Taos Comfortline (R$ 199.990): Frenagem Autônoma de Emergência (AEB) com detecção de pedestre, seis airbags, alerta de frenagem de emergência (ESS) e controles de tração e estabilidade, ar-condicionado digital de duas zonas, banco do motorista com ajustes elétricos, carregador de celular por indução, câmera de ré, retrovisor interno eletrocrômico, faróis full-LED com acendimento automático, logo traseiro iluminado, controlador de velocidade, quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas, central multimídia de 10,1 polegadas, acesso por chave presencial, partida por botão, sensor de chuva, rodas de 18 polegadas e start-stop;

Taos Highline (R$ 209.990): mesmos itens da versão anterior mais assistentes de saída de faixa e de mudança de faixa, ACC, detector de ponto cego, grade com faixa de LED, bancos parcialmente de couro, rodas de 19 polegadas e seletor de modos de condução

Opcionais para a versão Highline: Pacote Bi-tone, com teto e retrovisores pintados de preto (R$ 1.770) e teto solar panorâmico (R$ 7.260)

Se você se interessou em comprar o Volkswagen Taos 2026, também pode conferir os seguintes SUVs médios posicionados na mesma faixa de preço. Alguns deles são híbridos:

De acordo com a tabela Fipe, o Taos tem desvalorização de 12% no período de um ano. No entanto, como vários outros carros da Volkswagen, é normal encontrá-lo por valores mais altos nos maiores classificados online. Portanto, o SUV reestilizado surge como opção para quem pretende trocar de carro sem sofrer com a depreciação na revenda.

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Fonte: direitonews

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