Teste: novo Volkswagen Golf GTI é tão bom que não é para qualquer um


Manter a calma em um voo com turbulência. Degustar um vinho e realmente perceber as notas de sabor. Ir à academia em horário de herdeiro. Essas coisas definitivamente não são para qualquer um. Sabe o que também entra nessa lista sem esforço? O Volkswagen Golf GTI.

A oitava geração do hatch médio — chamada de MK 8,5, por já conter uma atualização visual de meia–vida, acaba de chegar ao Brasil importada da Alemanha. Como a produção da versão anterior foi descontinuada no nosso país em 2019, a volta ao mercado nacional acontece após seis longos anos.

Só que, depois de tanta espera, o esportivo da Volkswagen chegou chegando: com preço a partir de R$ 430 mil — um valor que só quem tem cartão Black Premium Ultra consegue bancar. Porém, fica na média dos principais rivais, Honda Civic Type R (R$ 429.990) e Toyota GR Corolla (R$ 416.990).

Ter quase meio milhão de reais na conta bancária, no entanto, não basta. Para colocar o novo Golf na garagem, os interessados ainda precisam comprovar já terem sido proprietários de modelos das linhas GTS, GLi ou GTI da Volkswagen, ou até de esportivos de Audi ou Porsche. Nenhum desses carros é para qualquer um. E eu? Bom, estou longe de fazer parte desse clube seleto, mas, felizmente, o crachá de jornalista automotiva me permitiu viver essa experiência por um dia.

Isso ajuda a explicar por que cheguei à nossa pista de testes, o Rota 127 Campo de Provas, com a animação de quem conseguiu upgrade para a classe executiva sem pagar um centavo. O Golf já estava lá, mas na versão que é vendida na Europa — a configuração brasileira será um pouco diferente.

O motor 2.0 turbo de quatro cilindros a gasolina com injeção direta, da família EA888, será o mesmo. Inclusive, é também o propulsor do Jetta GLI, mas com uma calibração mais agressiva na comparação com o sedã. O câmbio é sempre automatizado de dupla embreagem (DSG) com sete marchas e todas as engrenagens são banhadas a óleo.

Na versão vendida no Velho Continente, o GTI entrega 265 cv de potência e 41,5 kgfm de torque. O problema é que, nesse retorno ao Brasil, o esportivo será um pouco mais “manso”, como consequência das regras de emissões do Proconve L8 e das características da gasolina local, que tem entre 25% e 30% de etanol. É por isso que o hot hatch em nosso mercado vai dispor de 245 cv (20 cv a menos) e 37,7 kgfm (3,8 kgfm de diferença). Os concorrentes japoneses são mais potentes, importante dizer, e entregam 297 cv (Honda) e 304 cv (Toyota).

Enquanto o Golf GTI “tropicalizado” não chega, já que as primeiras unidades só serão entregues em março de 2026, testamos o irmão europeu mais potente e, com ele, aceleramos de 0 a 100 km/h em ótimos 5,7 segundos. De quebra, chegamos a 219 km/h ao final de uma reta de 1.000 metros. A versão brasileira vai perder um pouquinho? Sim, mas ainda assim o desempenho, com certeza, também não será para qualquer um.

E que carro divertido! A suspensão é firme como manda o regulamento da categoria e, certamente, dura até demais para as ruas brasileiras. Só que, por não estar emplacado, não tivemos a oportunidade de colocar o hatch nas ruas. Ainda assim, o primeiro contato nos permitiu perceber que o Golf é mais versátil do que os concorrentes de Honda e Toyota, que têm uma alma ainda mais voltada para a esportividade e os track days. Dá para me imaginar passeando na cidade com o Golf.

Na pista, digo com tranquilidade que a dirigibilidade do GTI é impecável. O novo Golf é tão acertado que não dá vontade de parar de acelerar mesmo nas curvas mais fechadas. É viciante, mas tem seus pênaltis. Acima de 200 km/h (velocidade irreal para a vida real de um brasileiro), o hatch deixa de ser tão estável, ainda que não deixe de transmitir segurança ao motorista.

As trocas de marchas rápidas compensam — e podem ser feitas por meio de paddle shifts, as aletas que ficam atrás do volante. Para fechar com chave de ouro, ainda dá para escutar um ronco bonito que surge pelas duas saídas de escape traseiras. Os puristas piram.

Trazendo um pouco mais para a realidade do que teremos aqui, a Volkswagen informa que a versão brasileira será capaz de ir de 0 a 100 km/h em 6,1 s. Fato é que, pelos dados de fábrica, o Golf acaba sendo mais lento do que o Civic Type R, com desempenho de 5,4 s, e do que o GR Corolla, que faz o mesmo percurso em 5,5 s. Os dois rivais, vale lembrar, são equipados com câmbio manual.

Ademais, outras mudanças acompanham o passaporte brasileiro. É o caso dos faróis de LED, que aqui não terão o sistema matricial IQ.Light, bem como das lanternas traseiras, que não trarão grafismos em 3D. Pelo menos a manutenção será mais em conta.

Já um ponto positivo é o pacote tecnológico, que continua sendo de respeito. A central multimídia flutuante de 12,9 polegadas tem conexão sem fio com Apple CarPlay e Android Auto e uma tela maior do que a que estamos acostumados a ver em qualquer outro carro da marca à venda no Brasil.

Há ainda quadro de instrumentos digital de 10,2″, freio de estacionamento eletrônico (finalmente), seletor de modos de condução (Normal, Esporte, Eco e Individual) e carregador de celular por indução. O logo iluminado na dianteira segue presente. E também teremos teto solar elétrico como item de série no Brasil — na Europa é um opcional. Vencemos uma.

A lista de itens de segurança é recheada como o esperado. Traz seis airbags, controle de velocidade adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, assistentes de condução, de permanência em faixa e de mudança de faixa, além de monitoramento de pressão dos pneus. A câmera de ré é de boa qualidade, mas um sistema de visualização em 360 graus faz falta.

Em relação ao acabamento, há duas opções de revestimento para os bancos. A primeira delas é a que aparece nas fotos, com o clássico tecido de desenho xadrez — como no esportivo dos anos 1970. A segunda é de couro e traz ajustes elétricos para o motorista. São R$ 15 mil a mais por isso, fazendo o preço do Golf GTI chegar a R$ 445 mil. Só que, assim como quase todos os carros da Volkswagen, o Golf não foge do padrão de ter muito plástico na cabine, mesmo com materiais macios ao toque no painel. Algo inaceitável para um carro desse valor.

O que também poderia ser melhor é o espaço interno. Com 2,63 metros de entre-eixos, o Golf não oferece tanto conforto para pessoas com mais de 1,70 m de altura na segunda fila. Além disso, o túnel central não permite que um adulto fique no assento do meio. Mas há saída de ar-condicionado com ajuste de temperatura na traseira. O porta-malas tem 344 litros, bem abaixo dos 470 l do concorrente da Toyota. Por isso, o que mais chama a atenção nele é a abertura elétrica, feita por um “botão” no logo da VW na tampa. Um charme com o qual donos de Fox vão se identificar.

Entre erros, acertos e críticas, o novo Golf GTI teve as primeiras 350 unidades vendidas em um fim de semana, o que fez a Volkswagen faturar R$ 150 milhões. Um novo lote com outras 150 unidades já está a caminho do Brasil.

É caro? Sim. É menos potente do que deveria ser? Sim. Poderia ter um acabamento melhor? Sim. Mesmo assim, é só pisar fundo no acelerador para entender por que deve ser bom demais não ser qualquer um. Mãe, fala de novo que eu não sou todo mundo?

MULTIMÍDIA

Central multimídia de 12,9 polegadas segue o padrão dos carros elétricos da Volkswagen e oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio, além de ter um funcionamento intuitivo e rápido

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Fonte: direitonews

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