Teste: GAC GS3 será rival chinês de Creta e T-Cross com porte de Compass


O mercado de SUVs parece ter virado um coração de mãe: sempre cabe mais um. Em 2025, sem contar os modelos de luxo, foram ao menos 20 novidades entre modelos inéditos, reestilizações e trocas de motorização.

Nada indica que o ritmo de lançamentos diminua nos próximos anos. Conte comigo: Nissan Kait, Toyota Yaris Cross, Chevrolet Sonic, Fiat Fastback de nova geração, outro Fiat de sete lugares e os projetos Volkswagen Saga e A-SUV. E nem estou considerando as marcas chinesas chegando ao Brasil.

Essa é a deixa que faltava para introduzir o objeto deste teste: Autoesporte foi a Guangzhou (China) para conhecer com exclusividade e em primeira mão o próximo lançamento da GAC no Brasil, o SUV GS3. Sim, é mais um SUV chinês a desembarcar em nosso mercado. Isso vai acontecer, mais precisamente, em março de 2026.

Antes disso, a marca avaliou a receptividade do público brasileiro com uma exibição do GS3 no Salão do Automóvel de São Paulo. A essa altura, tenho certeza de que você está se perguntando: o que esse novo SUV chinês tem de diferente dos outros para merecer minha atenção?

Aqui abordamos o grande diferencial do GAC GS3, pelo menos entre os conterrâneos. Estamos diante de um SUV com porte de Jeep Compass, portanto menor e mais barato do que os recentes lançamentos chineses no Brasil.

O GS3 virá ao Brasil apenas com motor a gasolina, sem eletrificação, para concorrer em faixa de preço com Hyundai Creta, Volkswagen T-Cross e companhia. Logo, mira um cliente mais conservador, que ainda não quer (ou não está pronto) para embarcar em um híbrido ou elétrico.

Se agora ficou mais fácil entender o posicionamento do GS3, as coisas começam a ficar complicadas para a GAC. Afinal, a concorrência no segmento de SUVs compactos é grande. Além de Creta e T-Cross, há Caoa Chery Tiggo 5X, Chevrolet Tracker, Fiat Fastback, Honda HR-V, Nissan Kicks e Peugeot 2008, apenas para citar os principais. Como um novato de uma marca ainda em construção vai se dar bem por aqui? A resposta está baseada em alguns pilares.

O primeiro deles é o porte. Como dissemos, o GS3 é, na verdade, um SUV médio nas dimensões. Tem 4,41 metros de comprimento e 2,65 m de entre-eixos, exatamente 1 centímetro a mais que um Jeep Compass nas duas medidas. Logo, consegue acomodar quatro adultos e uma criança a bordo com bastante conforto, ao contrário da maior parte dos rivais diretos. O bicho pega mesmo é no porta-malas, de apenas 341 litros, menor que o de um Renault Kardian ou Volkswagen Tera.

O segundo pilar é a motorização. O GS3 será um dos SUVs na faixa de R$ 150 mil mais potentes do Brasil. Isso porque virá equipado com um motor 1.5 turbo, com injeção direta de combustível, que entrega até 177 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, ligado a um câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas com caixa banhada a óleo.

Inicialmente, o GAC GS3 chega apenas a gasolina, mas a versão flex já está em desenvolvimento e deve ser lançada em 2027, quando também terá início a produção nacional na fábrica da HPE, em Catalão (GO). A GAC promete consumo urbano de 10 km/l e rodoviário de 13 km/l.

Em desempenho, o GS3 vai brigar com Fiat Fastback Turbo 270 (176 cv), Honda HR-V 1.5 turbo (177 cv) e Hyundai Creta 1.6 TGDi (193 cv). A GAC diz que o SUV leva 7,9 segundos para ir de zero a 100 km/h, desempenho melhor que os 8,7 s oficiais de um Volkswagen Nivus GTS. Na China, há até uma versão com apelo esportivo e saída dupla de escape. Falaremos mais adiante de como o GS3 anda. Antes disso, trago o terceiro pilar, diretamente relacionado ao segundo: o preço.

Você já percebeu que o GS3 tem motorização para ocupar a faixa mais alta do segmento dos compactos, acima de R$ 180 mil. Mas a GAC seguirá a antiga escola chinesa não apenas na escolha de um motor sem eletrificação: fará isso também na precificação do GS3. Podemos esperar versões entre R$ 140 mil e R$ 160 mil. Tudo para criar uma distância razoável em relação aos demais modelos da marca, como o híbrido GS4 e o elétrico Aion Y.

Nossa aposta é em duas versões, Elite e Premium. A mais barata já deve trazer ar-condicionado digital, chave presencial, partida do motor por botão, bancos de couro sintético, faróis de LED com acendimento automático, teto solar panorâmico, sensor de chuva, rodas de 18″, quadro de instrumentos digital e central multimídia.

A mais cara deve acrescentar porta-malas com abertura elétrica, sistema de entretenimento com tela maior (14,6″), banco do motorista com ajustes elétricos e pacote Adas de segurança ativa com controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência em faixa.

Independentemente da versão, o padrão de acabamento fica um pouco aquém do de outros carros da GAC à venda no Brasil. Ainda assim, é melhor que o de quase todos os SUVs compactos disponíveis por aqui. Há variação de texturas, como vinil e plástico emborrachado, mas também materiais duros e de aspecto menos nobre. A ergonomia é correta, com console central elevado, botões para funções primárias e central multimídia virada para o condutor.

Mas… e ao volante? Já adianto que as primeiras impressões são resultado de um test-drive curtíssimo. Uns 3 km, no máximo. Os percursos? Retângulos em volta de prédios da sede da GAC, em Guangzhou, nunca com velocidade superior a 50 km/h e sempre em pisos absolutamente lisos. Além de ser uma experiência bem limitada, é preciso considerar que o veículo avaliado era destinado ao mercado chinês e não passou pelo processo de adaptação ao gosto do consumidor brasileiro.

Talvez essa seja a melhor notícia em relação à condução do GS3. Se ele chegasse aqui como é vendido na China, acredito que a situação ficaria complicada para a GAC, a começar pela suspensão. Ao passar por tartarugas limitadoras de velocidade, senti um rebote maior do que o desejado, além de pancadas secas, frutos de um curso demasiadamente curto das molas e dos amortecedores.

Ao dar a partida, até me animei com o ronco encorpado do motor 1.5 turbo. Pensei que poderia estar a bordo de um ótimo desafiante para Fiat Fastback Abarth e Volkswagen Nivus GTS. No entanto, bastou uma volta em torno do prédio para descobrir o descompasso entre pedal do acelerador, motor e câmbio.

As respostas acontecem de forma tardia e sem a progressividade esperada. É como andar em um carro turbo dos anos 1990. Aliviando o pé do acelerador, o GS3 também demora para reduzir as rotações e perder velocidade. O ponto positivo da nossa experiência foi a direção, muito precisa e com o peso variável. No modo esportivo, como esperado, há maior resistência ao movimento.

Se essas impressões não deixaram você muito animado, fique tranquilo. Conversando com fontes da GAC no Brasil, ouvi que o trabalho de adaptação do GS3 para o público local segue a todo vapor e inclui melhorias para que o SUV chegue às lojas brasileiras com um comportamento bem diferente do da versão chinesa. Assim esperamos.

Considerando que a questão da dinâmica de condução seja resolvida, será preciso investir muito para mostrar ao público brasileiro as virtudes de um SUV com ótimo espaço interno, potência mais do que adequada e bom pacote de equipamentos. Só fica a dúvida se ainda existe espaço para a GAC em um segmento tão saturado. O GS3 até pode achar um lugar ao sol, mas será que vai corresponder às expectativas de vendas dos exigentes chineses?

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Fonte: direitonews

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