Da Redação
A Bronca Popular
Há homens que convivem por anos com uma mulher, dividem o mesmo teto e a intimidade, mas jamais compartilham respeito. Humilham, ofendem, evitam qualquer convivência afetiva e recorrem ao sexo apenas quando lhes convém — muitas vezes seguido de desprezo e palavras agressivas. Isso não é temperamento difícil. É violência.
Esse comportamento revela um padrão sustentado por machismo estrutural, déficit de empatia e uma relação doentia com o poder. A mulher deixa de ser parceira e passa a ser tratada como objeto funcional: para controle, conveniência e satisfação sexual. Quando contrariados, esses homens reagem com agressividade; quando atendidos, com desprezo. O objetivo é manter domínio.
Não se trata apenas de falha de caráter ou transtorno psicológico. Trata-se, sobretudo, de escolha consciente. Esse tipo de agressão raramente ocorre fora de casa. No trabalho ou diante de quem impõe limites, o agressor se controla. Ele sabe o que faz e continua porque acredita que não haverá consequências.
O desprezo após o sexo é um dos sinais mais cruéis dessa dinâmica. A intimidade vira instrumento de poder, não de afeto. Ao reduzir a mulher logo após o ato, o agressor reafirma hierarquia e mina sua autoestima.
Nada disso é amor. É dominação.
Nada disso é conflito comum. É abuso psicológico — e, em alguns casos, sexual.
Diante desse perfil, a reação da mulher não pode ser esperar mudança. Relações abusivas não se curam com paciência. O primeiro passo é nomear o que está acontecendo: violência. O segundo é romper o silêncio, buscar apoio, fortalecer redes e estabelecer limites claros. Quando esses limites são ignorados, o afastamento passa a ser proteção.
Homens abusivos raramente mudam por apelo emocional. Mudam quando perdem controle, convivência ou liberdade. Nenhuma mulher deve aceitar ser diminuída para sustentar uma relação. Amor não humilha, não fere e não domina. Reconhecer isso é um ato de lucidez — e de sobrevivência.
Fonte: abroncapopular







