A União Europeia aprovou provisoriamente nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul que vinha sendo negociado há mais de 25 anos. Os votos serão formalizados ainda hoje em Bruxelas (Bélgica), apesar da oposição de países como França e Irlanda. O acordo prevê, entre outras medidas, a redução de impostos sobre a importação e exportação de veículos e autopeças.
Quando concretizado, o acordo criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 718 milhões de pessoas. Trata-se de uma parceria que vinha sendo negociada há mais de duas décadas com o objetivo de facilitar o comércio entre os dois blocos, embora exista descontentamento de setores da indústria, especialmente de agricultores europeus.
O acordo envolve os países latinos associados ao Mercosul, como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e a União Europeia, composta por 27 países europeus, como Alemanha, França, Itália e Espanha. De tal forma, produtos do Mercosul devem ficar mais baratos na Europa, enquanto mercadorias europeias seriam mais acessíveis em nossa região. Mas como isso afeta a indústria automotiva brasileira?
De acordo com o consultor automotivo Milad Kalume Neto, colunista da Autoesporte, o acordo prevê a redução de impostos sobre a importação e exportação de veículos e autopeças — o que pode diminuir custos, baratear produtos e tornar a indústria brasileira mais competitiva. No entanto, os efeitos completos dessa mudança só devem acontecer a partir de 2033.
Os fabricantes de veículos do Mercosul terão acesso a um mercado maduro, diversificado e robusto. Será possível, segundo Kalume, ampliar as oportunidades de comércio. O mercado latino-americano tem tradição nos segmentos de hatches, sedãs, picapes e SUVs pequenos.
De acordo com o consultor, a chegada de veículos europeus mais competitivos e de novas tecnologias tende a estimular o desenvolvimento da indústria brasileira. No setor de autopeças, os blocos já trabalham em sinergia, o que pode aumentar a escala e facilitar o desenvolvimento de novas tecnologias.
Embora os métodos do acordo ainda estejam em discussão, o Brasil terá uma proteção importante: se houver risco para a indústria nacional, o país poderá suspender por até três anos a redução dos impostos para veículos importados, ou até voltar à taxa atual de 35%, sem necessidade de oferecer qualquer compensação à União Europeia. Essa medida poderá ser renovada por dois anos e é uma segurança para as operações locais.
Com a aprovação do acordo, inicia-se uma nova etapa que deve levar anos para ser concluída. Existem processos de negociações entre as partes, revisão legal, tradução para 25 línguas entre os países que fazem parte do bloco europeu, assinatura, internalização das normas discutidas (que, no Brasil, envolve os poderes Executivo e Legislativo) e, finalmente, a confirmação pelo chefe do Poder Executivo daquilo que foi pactuado.
O que mantém tópicos do acordo entre Mercosul e UE na corda bamba é o descontentamento dos agricultores europeus, que temem a competitividade do Brasil, um dos países mais desenvolvidos nesta indústria global.
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital.
Fonte: direitonews






