As declarações foram dadas em entrevista ao programa Balanço Geral MG, da TV Record. Na ocasião, ao ser questionado sobre a possibilidade de ligar para Trump, o presidente brasileiro afirmou que “Lula aprendeu a andar de cabeça erguida, e o homem que anda de cabeça erguida, que tem dignidade, não rasteja diante de outro homem”.
“A hora que ele quiser conversar, o Lulinha paz e amor estará pronto para conversar, mas não pensem que o Lula vai ficar mendigando uma conversa não. O Lula vai procurar outros parceiros”, acrescentou o chefe do Planalto.
O Brasil foi tarifado em 50% pelos EUA em cerca de 4% de suas exportações para o mercado estadunidense. Em carta publicada pelo governo norte-americano, as justificativas foram a correção da balança comercial entre os países, decisões jurídicas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e contra empresas de tecnologia norte-americanas.
Conforme ressaltado por Lula, a carta não foi enviada para ele, mas publicada por Trump, sobre a qual só foi tomar conhecimento através da imprensa. “Eu mandei uma carta convidando ele para a COP”, enfatizou.
O presidente brasileiro também rebateu críticas endereçadas ao BRICS, feitas, inclusive, pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, questionando a participação do Brasil no grupo.
“Os que falam mal do BRICS não sabem que dez países do BRICS fazem parte do G20, que dos [países do] BRICS, quatro são convidados para o G7 em toda reunião. O que não dá para a gente aceitar é o fim do multilateralismo”, atentou.
Além disso, Lula enfatizou que o Brasil vai buscar novos parceiros para suprir a lacuna deixada pelos EUA. Na ocasião, citou a missão brasileira no México, comandada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e a visita aos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em outubro.
Segundo pontuou Lula, os países querem condições de negociar em tom de igualdade. “Não existe mais espaço para imperador”, disse, direcionado a Trump, que, para o presidente brasileiro, deveria respeitar a carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e o protocolo da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Fonte: sputniknewsbrasil