“Estamos trabalhando com muitas frentes. No ano passado, a gente conseguiu contratar os últimos remanescentes do último concurso, e nós estamos trabalhando agora a proposta de um novo concurso, para poder recuperar os nossos quadros. Já fizemos aquisição de um número muito grande de equipamentos, desde computadores, viaturas, helicópteros, para que de fato a gente possa ser mais assertivo e garantir a proteção desse patrimônio natural tão importante que o Brasil possui”, diz Agostinho.
“Um total de mais de R$ 1 bilhão em multas foram aplicadas, porque de fato existe uma indústria de crimes ambientais no país”, afirma.
Desmatamento no Cerrado é um dos desafios atuais
“Quase todo o desmatamento do Cerrado é autorizado pelos estados, então fica difícil o nosso trabalho nesse caso […] Nós precisamos baixar o desmatamento do Cerrado. Em algumas regiões, o desmatamento está reduzindo, mas não porque as pessoas estão praticando menos infrações, mas porque, basicamente, em algumas regiões não sobrou Cerrado para derrubar”, explica.
“As pessoas olham para a floresta e acham que eles não são desenvolvidos ou não têm emprego porque tem uma floresta ali. Então, essa mudança cultural e de realidade precisa acontecer. As pessoas precisam olhar para os atributos ambientais e dizer ‘Olha, essa floresta que está aqui está produzindo água para a agricultura brasileira, essa floresta está produzindo polinizadores para a agricultura brasileira, essa floresta está ajudando a manter o clima, manter a biodiversidade local.'”
Arco do Desmatamento como região mais tensa
“O Maranhão é um encontro de biomas, a gente tem ali no Maranhão, Caatinga, Cerrado e Amazônia, e é uma região agora de franca expansão agrícola. Então ali a gente também tem altas taxas de desmatamento, essas são as regiões onde a gente vem fazendo o combate mais estratégico.”
Biodiversidade faz do Brasil território fértil para o tráfico de animais silvestres
“Notadamente, a gente tem seis grandes biomas terrestres, mais o bioma marinho. Então é uma riqueza biológica muito grande. E isso faz com que muita gente se ache no direito de retirar esses animais da natureza, ou mesmo plantas. E eu não acho que é um problema que está aumentando. Mas, obviamente, a gente ampliou as nossas ações, ampliamos as nossas operações. Estamos com 160 fiscais novos, que nós formamos no ano passado. Então, por isso, os números acabam aumentando.”
Governo Lula está cumprindo sua agenda climática?
Agronegócio sustentável vs. desmatamento ilegal
“Eu acho que é muito complicado a gente querer misturar as duas coisas. A gente tem uma indústria de grilagem, de ocupação de terra pública, de desmatamento ilegal na Amazônia, e que não necessariamente se mistura com o agronegócio, […] um agronegócio ultramoderno, preocupado com a sustentabilidade e que está tentando entender e fazer a sua parte também. Dessa mesma forma, eu falo em relação ao Congresso Nacional. Não necessariamente os deputados que estão ali do agro, de fato, representam a agropecuária brasileira”, conclui.

Fonte: sputniknewsbrasil