Honda CR-V a hidrogênio é testado no Brasil com truque de híbrido plug-in


A Honda anunciou, nesta quinta-feira (5), o início dos testes do CR-V e:FCEV no Brasil, em parceria com a empresa espanhola Neoenergia. O SUV elétrico traz uma inusitada combinação de células de hidrogênio com um sistema plug-in a bateria semelhante ao de modelos híbridos. Apesar dos testes, não há, por enquanto, a intenção de vendê-lo por aqui.

Isso porque, tradicionalmente, os carros movidos a hidrogênio — como o Toyota Mirai, que Autoesporte testou em 2022 — possuem apenas um tanque de armazenamento. O hidrogênio, vale dizer, passa por um reator para gerar a célula de combustível que será convertida em eletricidade. No entanto, o CR-V também possui um conjunto de baterias com fonte externa de recarga.

Este é o primeiro veículo em produção da Honda capaz de rodar com dois tipos de energia limpa. Além da célula de combustível, traz um sistema elétrico com bateria de 17,7 kWh que pode ser carregado em tomadas convencionais e eletropostos. A autonomia é de 47 km, número que sobe para 434 km quando os tanques de hidrogênio estão cheios, de acordo com as medições da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). Os tanques são de alta pressão, de 700 bar, e suportam até 4 kg de hidrogênio.

Independente da energia usada, o motor a ser alimentado é sempre um elétrico posicionado na dianteira do veículo, com potência de 176 cv e 31,7 kgfm de torque. Nesse caso, o sistema converte hidrogênio em eletricidade por meio da célula de combustível, emitindo apenas vapor de água.

A Honda não tem planos de vender esse veículo no país, até pela inexistência de postos de abastecimento de hidrogênio. Mas, não é só no Brasil que o modelo ainda não faz parte dos planos da marca, uma vez que, até o momento, o CR-V só é ofertado para aluguel na Califórnia, Estados Unidos.

Por aqui, a Honda comercializa desde 2024 o CR-V e:HEV, após tirar o modelo de linha em 2022 e retornar a venda dois anos depois. O SUV híbrido convencional é equipado com motor 2.0 aspirado a gasolina de ciclo Atkinson, com 147 cv de potência e 19,4 kgfm, que trabalha junto com outros dois motores elétricos, um que atua como gerador e o outro é de tração, com 184 cv e 34,2 kgfm. Assim, a potência combinada dos motores é de 207 cv, de acordo com a Honda, que não divulga o torque final do modelo.

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Voltando ao Honda CR-V movido a hidrogênio, o SUV permite que o motorista escolha o tipo de energia para rodar. O modo elétrico pode ser usado no dia a dia, em trajetos mais curtos, enquanto o hidrogênio tem a finalidade de prolongar sua autonomia. O sistema é parecido com os híbridos plug-in (PHEV) que já conhecemos, que podem rodar só no modo elétrico, mas para viagens mais longas acionam o motor a combustão. A diferença é que a tecnologia o SUV da Honda emite apenas vapor de água.

O abastecimento dos tanques de hidrogênio leva menos de cinco minutos, de acordo com a Honda, enquanto a bateria elétrica leva algumas horas para ser recarregada, tempo que pode variar de acordo com a potência da tomada usada.

O seu visual é diferente do modelo comercializado no Brasil, com faróis mais afilados e conectados por meio da grade frontal, que também é afilada e dividida em duas partes, com a segunda posicionada na parte inferior da dianteira e integrada ao para-choque. As rodas de 18 polegadas também trazem desenho diferente e na traseira as lanternas, tampa do porta-malas, para-choque e aerofólio foram redesenhados.

O SUV está em testes em Brasília (DF) e região por meio de uma parceria com a Neoenergia, empresa que produz hidrogênio verde e possui, desde dezembro, um ponto de abastecimento para veículos movidos a célula de combustível de hidrogênio. Dessa forma, sempre que necessário o veículo é abastecido na unidade, para que a Honda siga com as suas avaliações do CR-V e:FCEV no país durante seis meses. A produção do hidrogênio verde foi idealizada em 2021, mas só avançou a partir de 2023.

Antes de ser usado para abastecer veículos, o hidrogênio passa por um refrigerador, para entrar no cilindro do veículo na temperatura ideal. O abastecimento acontece com uma pressão de 700 bar em veículos leves e 350 bar em veículos comerciais. Essa diferença acontece pelo tamanho dos cilindros, que é menor em veículos leves e demandam maior pressão para comprimir até 4 quilos de hidrogênio, no caso do Honda CR-V.

Autoesporte teve uma breve experiência rodando com o CR-V movido a hidrogênio com truque de híbrido-plug in em Brasília. O contato foi rápido, mas a dinâmica de condução é igual — ou muito próxima — de um carro elétrico, com respostas rápidas no caso de uma aceleração mais forte para ultrapassagem, sem ruído algum do motor.

No kit multimídia é possível ver com qual energia o motor está sendo tracionado, se ela está saindo da bateria, dos cilindros de hidrogênio ou dos dois, o que também acontece em alguns momentos. Em qualquer uma das situações, o conforto para rodar dentro da cidade é bom e, na hora de fazer uma baliza, o cambio funciona por botões, sem alavanca.

A parceria entre as duas empresas faz parte do programa de Pesquisa e Desenvolvimento e Inovação (PDI), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), com investimento superior a R$ 30 milhões. O trabalho busca o mesmo resultado final: soluções que ajudem no processo de descarbonização das suas operações, mirando a neutralidade em carbono até 2050.

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Fonte: direitonews

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