Ferramenta de 6 mil anos muda visão sobre tecnologia do Egito antigo (FOTO)


Pesquisadores identificaram o objeto encontrado no Egito como a broca de metal mais antiga já registrada na região, datada do final do quarto milênio a.C., muito antes do surgimento dos primeiros faraós. O artefato, descoberto há cerca de um século e pouco valorizado à época, foi recentemente reexaminado por equipes da Universidade de Newcastle e da Academia de Belas Artes de Viena.
A peça, descrita nos anos 1920 como uma simples sovela de cobre com tira de couro, mede 63 milímetros e pesa 1,5 grama. A análise ampliada revelou marcas claras de uso rotativo: linhas paralelas na ponta, bordas arredondadas e uma leve curvatura causada pela tensão repetida contra materiais duros. Esses sinais diferem dos danos típicos de perfurações por pressão, indicando que a ferramenta foi usada como broca.
© Foto / Universidade de Newcastle/Martin OdlerFotografia original do artefato publicada em 1927 por Guy Brunton (E) e o artefato em si

Fotografia original do artefato publicada em 1927 por Guy Brunton (E) e o artefato em si - Sputnik Brasil, 1920, 10.02.2026

Fotografia original do artefato publicada em 1927 por Guy Brunton (E) e o artefato em si
Fragmentos de couro ainda aderidos à haste sugerem que a broca integrava um sistema de furadeira de arco, no qual um cordão enrolado na haste é movimentado para frente e para trás, gerando rotação rápida. Representações desse tipo de ferramenta aparecem em tumbas egípcias de períodos muito posteriores, e exemplares físicos do segundo milênio a.C. já eram conhecidos, mas achados tão antigos quanto o de Badari são raríssimos.
A broca foi encontrada em uma tumba pertencente a um homem adulto, em um cemitério conhecido pela produção refinada de contas, vasos de pedra e objetos de madeira — atividades que exigiam perfuração precisa, indicando um domínio de técnicas avançadas de manufatura, muito antes do que se supunha.
Imagens de satélite mostrando a expansão da moderna Tabriz em 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 06.02.2026

A análise por fluorescência de raios X revelou uma liga metálica incomum, composta de cobre com arsênio, níquel e traços de prata e chumbo, uma combinação que tornava o metal mais duro que o cobre puro, sugerindo um acesso a múltiplas fontes de minério ou redes de troca que ultrapassavam o Vale do Nilo.
A análise, publicada na revista Archaeology News, reforça a continuidade tecnológica ao longo de milênios, já que brocas semelhantes aparecem em cenas do Novo Império, mais de dois mil anos depois.
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Fonte: sputniknewsbrasil

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