Camelo romano em Basileia revela presença inesperada desses animais no norte da Europa (FOTO)


Arqueólogos suíços identificaram restos de um raro camelo híbrido na atual cidade de Basileia, resultado do cruzamento entre um dromedário e um camelo bactriano, confirmando que esses animais viveram e trabalharam na região no século IV d.C. A descoberta, apresentada no Relatório Anual de 2024 do Escritório de Pesquisa Arqueológica de Basileia-Cidade, mostra que os romanos empregavam camelos não apenas em áreas desérticas, mas também em pontos estratégicos da Europa Central.
A investigação começou com a análise de uma mandíbula encontrada perto do local conhecido como Spiegelhof, inicialmente indistinguível de outros restos animais comuns em sítios romanos. Estudos zooarqueológicos e isotópicos confirmaram tratar-se de um camelo híbrido, provavelmente trazido do Norte da África ou da Península Arábica, após ter mudado de região ao menos duas vezes ao longo da vida.
Outros fragmentos ósseos descobertos em 1939 e 2018 sugerem que mais de um camelo esteve presente em Basileia, constituindo a evidência mais ocidental de camelos híbridos já encontrada na Europa. Esses animais eram altamente valorizados por sua força, resistência e capacidade de adaptação a climas frios e terrenos lamacentos, características essenciais para operações logísticas no norte do Império Romano.
O navio de carga medieval, Svaelget 2, encontrado na Dinamarca - Sputnik Brasil, 1920, 30.12.2025

No mundo romano, camelos eram usados sobretudo por unidades militares das províncias orientais e africanas, desempenhando funções de transporte, comunicação e apoio à defesa de fronteiras. Os híbridos, mais robustos para o clima europeu, eram particularmente úteis ao longo do rio Reno, onde conectavam fortes, depósitos e rotas viárias. Sua relevância foi tamanha que os animais chegaram a ser retratados nos denários, moedas de prata usadas como base do sistema monetário romano.

© Foto / Pesquisa Arqueológica de Basileia-Cidade/Susanne Schenker, Philipp EmmelDenários romanos de Augusta Raurica (Kaiseraugst/AG) (B) com um camelo (cerca de 58 a.C.) e de Basileia (C) com um elefante

Denários romanos de Augusta Raurica (Kaiseraugst/AG) (B) com um camelo (cerca de 58 a.C.) e de Basileia (C) com um elefante - Sputnik Brasil, 1920, 04.01.2026

Denários romanos de Augusta Raurica (Kaiseraugst/AG) (B) com um camelo (cerca de 58 a.C.) e de Basileia (C) com um elefante
Os ossos encontrados em Basileia estavam próximos a uma antiga estrada romana que ligava a colina de Munsterhugel a rotas internacionais e passava por Augusta Raurica, outro local com vestígios de camelos. Pesquisadores acreditam que a Legio Prima Martia, ativa em obras na região, pode ter sido responsável por trazer esses animais.
Datados do século IV d.C., os restos coincidem com o período em que o imperador Valentiniano I reforçou militarmente a fronteira do Reno e consolidou Basileia como ponto estratégico. Nesse contexto, os camelos não eram meras curiosidades exóticas, mas parte essencial da infraestrutura militar, transportando suprimentos e materiais de construção.
A descoberta reforça a importância de Basileia como encruzilhada de comércio, cultura e logística no Império Romano, além de evidenciar redes de mobilidade que conectavam regiões distantes. À medida que novas pesquisas avançam, cresce a compreensão de como esses animais se integraram ao cotidiano romano e ajudaram a moldar a história da fronteira norte da Europa.
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Fonte: sputniknewsbrasil

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