O Honda Prelude foi um divisor de águas para a marca. Ainda em 1987, foi o primeiro carro de produção em série do mundo a trazer o recurso das rodas traseiras esterçantes. Batizado de Four-wheel steering (4WS), o equipamento tem como vantagens a facilidade nas manobras e a melhor eficiência nas curvas de alta velocidade.
Este belo Honda Prelude Si 1992 que a Autoesporte encontrou possui o raro dispositivo. À venda pela Ronin Automotiva , o exemplar tem só 31 mil milhas rodadas, o que dá pouco menos de 50 mil km.
Segundo Henrique Ronin, o exemplar ficou famoso por dar as boas-vindas ao retorno — após um hiato de 31 anos — da nova geração do Prelude no mercado nacional, previsto para ser lançado no segundo semestre. A própria Honda usou o veículo em postagem no Instagram para promover a volta do clássico.
A pintura na provocante cor Vermelha Milano está toda original e é um show à parte, torcendo muitos pescoços por onde passa. Outro atestado de originalidade é a parte interna, que traz bancos forrados em tecido aveludado.
O painel é lindo e envolvente e, até para os dias atuais, remete a um design futurista, por conta do quadro de instrumentos largo e plano que se estende de uma extremidade a outra. Ele combina marcadores analógicos, a exemplo do velocímetro, conta-giros, nível de combustível e temperatura da água do motor, com iluminação azulada e toques digitais, com controles próximos ao motorista, evidenciando a boa ergonomia.
“Este carro é de um cliente meu e fiz toda a manutenção necessária e ajustes para um funcionamento perfeito a este belo neo-colecionável”, diz Ronin.
À venda por R$ 130 mil, preço equivalente ao de um City sedã novo, este Prelude Si traz originalmente o motor Honda (H23A1) 2.3 com duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC, Double Overhead Camshaft) de 160 cv. Casado a um câmbio automático de quatro marchas, o conjunto motriz equilibra muito bem a esportividade com a suavidade das trocas de marchas.
Ainda de acordo com o vendedor, o Prelude possui ainda alguns itens raríssimos que eram oferecidos opcionalmente na época. Entre eles, rádio toca-fitas e CD player, ambos originais, além de um interessante console central com porta-objetos do tipo “baú”.
As primeiras unidades do cupê Prelude vieram em 1992, depois dos outros modelos importados icônicos, como o Accord, que chegou ao porto de Santos (SP), seguido pelo Civic e suas interessantes variações, entre elas, a CRX, que já foi tema dessa seção Achado Usado.
O Honda Prelude chegou nas versões S, Si e VTEC. A primeira vinha com o mesmo motor F22A1 do Accord, no caso o de quatro cilindros de 2,2 litros com comando simples no cabeçote (SOHC, Single Overhead Camshaft) de respeitosos 135 cv.
A Si trazia o 2.3, porém com duas árvores de cames e, opcionalmente, sistema automotivo de direção nas quatro rodas 4WS, igual aos das fotos. Por fim, havia a topo de linha com sistema VTEC (Variable Valve Timing and Lift Electronic Control), que ajusta o tempo e a elevação das válvulas para otimizar desempenho e economia. Com duplo eixo de comando de válvulas (DOHC), o conjunto desempenhava a potência de 190 cv. As três opções poderiam vir com câmbio manual de cinco marcha ou automático, de quatro.
Mesmo com 4,44 m de comprimento, o Prelude comportava apenas dois adultos à frente, por conta de sua baixa estatura de 1,29 m. Atrás, portanto, no máximo duas crianças, sendo então um 2+2. O porta-malas de 278 litros — volume próximo ao de um Fiat Uno — também não ajudava muito, mas era perdoável para um cupê com propostas esportivas.
No entanto, sentar-se nos confortáveis bancos colados no chão e com as pernas esticadas, posição igual ao de um kart, é até hoje uma das experiências sensoriais mais marcantes deste modelo especial da Honda.
Com nenhuma mudança marcante, a quarta geração do esportivo japonês no Brasil se estendeu oficialmente até 1995, sendo que as raras edições de 1996 em diante vieram por meio de importação independente.
O Honda Prelude teve um papel importante para a marca durante mais de duas décadas de produção ininterrupta, servindo de ‘laboratório técnico’ a céu aberto, além de ditar as tendências de estilo de seus carros. Com cinco gerações estabelecidas, ele deixou de ser fabricado em 2001, mas retornou em 2025, dessa vez como um cupê híbrido. No Brasil, foi a estrela do Salão do Automóvel e, por conta da boa aceitação, seu lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026.
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Fonte: direitonews






