Alemanha precisa iniciar diálogo com a Rússia para não ficar em situação difícil depois, diz jornal


Segundo a publicação, o ex-ministro de Assuntos Especiais da Alemanha e defensor da ideia de aproximação com a Rússia para construir um sistema unificado de segurança, Egon Bahr, foi um dos políticos europeus que entenderam a necessidade de cooperar com um eventual inimigo para evitar um confronto sistêmico.
Os autores do artigo afirmaram que, na opinião de Egon Bahr, há cinco pontos capazes de garantir a paz e construir um sistema de segurança conjunto: a capacidade de mudar de perspectiva, a inclusão sistemática dos interesses da outra parte, o conhecimento de sua experiência histórica, a consideração de fatores culturais e emocionais e o desenvolvimento de medidas verificáveis de fortalecimento da confiança.
Soldados da Bundeswehr (Forças Armadas da Alemanha) marcham em frente ao Reichstag, sede do parlamento alemão (Bundestag). Berlim, 20 de julho de 2009 - Sputnik Brasil, 1920, 24.04.2026

No entanto, segundo o texto, a opinião do político alemão não foi acolhida pelos demais líderes ocidentais e, portanto, nenhum desses pontos foi implementado na política ocidental em relação à Rússia após o fim da Guerra Fria.

“Em vez disso, foi executada uma política implacável ditada pelos próprios interesses dos EUA, enquanto a Europa reprimiu seus interesses e foi, e continua sendo, chantageada por sua grande dependência dos americanos. As hostilidades na Ucrânia são o resultado disso”, diz o artigo.

Por isso, um dos passos para construir segurança e acabar com a situação de conflito é iniciar um diálogo com a liderança russa, acreditam os autores do texto.

“O que é preciso fazer? O governo alemão deve buscar o diálogo com Vladimir Putin, baseando-se nos cinco pontos de Egon Bahr”, destaca a publicação.

Instalações do gasoduto Yamal-Europa na Polônia - Sputnik Brasil, 1920, 25.04.2026

Os europeus, por sua vez, devem defender seus interesses de forma independente, e não entregá-los aos Estados Unidos, especialmente ao atual presidente, Donald Trump. Os políticos europeus que compartilham a visão de Bahr devem construir uma política de paz autônoma para a Europa, acreditam os autores do artigo.
Caso contrário, o Velho Mundo corre o risco de se encontrar na situação que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, descreveu de forma sóbria no Fórum Econômico Mundial em Davos, em 2026: “se você não estiver à mesa de negociações, estará no prato”.
Putin, Xi Jinping e Donald Trump no mesmo lugar. - Sputnik Brasil, 1920, 27.04.2026

Na semana passada, a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que a Europa não pode apoiar a continuação do conflito na Ucrânia e, ao mesmo tempo, exigir um lugar à mesa de negociações para resolvê-lo.
Nos últimos anos, a Rússia tem denunciado uma atividade sem precedentes da OTAN perto de suas fronteiras ocidentais. A aliança expande suas iniciativas e classifica isso como “contenção da agressão russa”.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia enfatizou que o país permanece aberto ao diálogo com a OTAN, mas em pé de igualdade, e que o Ocidente precisa abandonar o curso de militarização do continente.
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Fonte: sputniknewsbrasil

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