Experimento atinge frio extremo e avança na busca por partículas leves de matéria escura


O experimento SuperCDMS, conduzido por cientistas da Universidade de Minnesota, alcançou um marco decisivo na busca pela matéria escura, uma das maiores incógnitas da física moderna. Instalado no SNOLAB, no Canadá — o laboratório subterrâneo mais profundo do mundo — o projeto foi concebido para detectar a massa invisível que compõe grande parte do Universo.
A equipe anunciou que conseguiu resfriar o aparato até sua temperatura operacional, um patamar centenas de vezes mais frio que o espaço sideral. Esse avanço permite que os detectores funcionem com sensibilidade máxima, condição indispensável para registrar sinais extremamente sutis.

© Foto / Laboratório Nacional do Acelerador SLAC/Greg StewartOs cientistas trabalhando no projeto de um escudo de baixo ruído de fundo, que cria uma zona livre da radioatividade residual que poderia mascarar o fraco sinal da matéria escura

Os cientistas trabalhando no projeto de um escudo de baixo ruído de fundo, que cria uma zona livre da radioatividade residual que poderia mascarar o fraco sinal da matéria escura - Sputnik Brasil, 1920, 11.04.2026

Os cientistas trabalhando no projeto de um escudo de baixo ruído de fundo, que cria uma zona livre da radioatividade residual que poderia mascarar o fraco sinal da matéria escura
A matéria escura, formalmente proposta na década de 1970 pela astrônoma Vera Rubin, é estimada como responsável por cerca de 85% da massa do Universo. Apesar de décadas de pesquisa, sua composição permanece desconhecida, sustentando teorias que vão desde partículas massivas até interações gravitacionais ainda não compreendidas.
O modelo mais aceito atualmente é o da Matéria Escura Fria (CDM, na sigla em inglês), que sugere partículas pesadas interagindo com a matéria comum apenas pela gravidade. O SuperCDMS foi projetado justamente para detectar essas partículas hipotéticas que atravessam a Terra continuamente, utilizando um invólucro cilíndrico de chumbo ultrapuro para bloquear radiação indesejada.
Atingir a temperatura base — apenas 1/1.000 de grau acima do zero absoluto — representa uma transição crítica para o experimento.

Segundo Priscilla Cushman, porta-voz do projeto, essa etapa coroa anos de trabalho para criar um ambiente de baixíssimo ruído capaz de abrigar detectores criogênicos extremamente sensíveis.

Com o sistema estabilizado, os detectores poderão explorar novas regiões do espaço de parâmetros, especialmente aquelas onde partículas mais leves de matéria escura podem estar escondidas. A equipe também desenvolveu algoritmos de aprendizado de máquina e técnicas de análise para identificar rapidamente possíveis sinais quando o experimento entrar em operação plena.
A próxima fase será o comissionamento do detector, que deve durar meses e incluir a calibração e otimização de cada canal. Além da busca pela matéria escura, o SuperCDMS permitirá estudar isótopos raros, analisar deposições de energia em níveis de elétron-volt e, potencialmente, revelar novas interações fundamentais da física.
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Fonte: sputniknewsbrasil

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