STJ mantém prisão de matriarca acusada de mandar matar advogado por dívida de R$ 4,5 milhões em Nova Ubiratã


O ministro Rogério Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve a prisão preventiva de Cleusa Bianchini, de 69 anos, acusada de orquestrar o assassinato do advogado José Antônio da Silva, ocorrido em Nova Ubiratã (MT). De acordo com as investigações, o crime foi motivado por uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 milhões referente a honorários advocatícios.

Segundo a apuração policial, Cleusa, junto com o filho Alessandro Henrique Vageti e a neta Giovanna dos Santos Vageti, teria contratado Kall Higor Machado, conhecido como “Mete Bala”, para executar o advogado. A matriarca acreditava que, com a morte da vítima — que não teria herdeiros diretos, a família poderia se livrar da obrigação de quitar a dívida.

A investigação aponta os três familiares como mandantes do crime, enquanto Kall Higor é apontado como um dos executores. Antes de ser assassinado, José Antônio chegou a enviar áudios a familiares relatando ameaças, mas deixou claro que não abriria mão das ações judiciais em que cobrava os valores devidos.

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As prisões ocorreram durante a Operação Procuração Fatal, com mandados cumpridos também nos municípios de Sorriso, Nobres e Tangará da Serra, com apoio de delegacias locais.

Em decisão proferida nesta quarta-feira (4), o ministro analisou habeas corpus apresentado pela defesa de Cleusa, que pediu a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. Os advogados alegaram que ela é idosa, possui saúde fragilizada e seria a única responsável pelos cuidados do pai, de 93 anos, diagnosticado com Alzheimer em estágio avançado.

Ao analisar o pedido, o relator destacou a ausência de laudos médicos recentes que comprovassem a impossibilidade de tratamento das doenças no sistema prisional. Entre os problemas de saúde alegados estão doença isquêmica do coração, arritmias cardíacas, hipertensão, esteatose hepática, diverticulose e transtornos depressivos.

O ministro também apontou uma contradição no argumento da defesa, ao afirmar que, se a acusada estivesse tão debilitada fisicamente, dificilmente teria condições de prestar os cuidados intensivos exigidos por um paciente com Alzheimer em estágio avançado. Diante disso, a liminar foi indeferida por não atender aos requisitos de excepcionalidade previstos em lei, mantendo-se a custódia cautelar.

Em setembro do ano passado, o desembargador Orlando Perri concedeu liberdade provisória a Alessandro Henrique Vageti e Giovanna dos Santos Vageti, filho e neta de Cleusa. Ambos também são investigados por suposto envolvimento no crime. Cleusa, por sua vez, confessou a autoria intelectual do assassinato e, em depoimento, isentou os dois familiares de participação direta.

Fonte: nortaomt

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