Teste: novo BMW X3 é híbrido plug-in com status alemão que faz 15 km/l


Não faz muito tempo, li um comentário no canal de Autoesporte no YouTube dizendo que “os carros híbridos são o futuro”. Eu diria que são o presente. Praticamente não há fabricantes que não tenham em seu portfólio alguma opção eletrificada. Entre as montadoras premium, como a BMW, isso é ainda mais comum, principalmente porque algumas delas recuaram na ideia de migração total para os elétricos e agora dão maior atenção aos híbridos.

Antes mesmo de colocar um novo iX3 nas ruas, a fabricante alemã lançou a quarta geração do X3 com opções exclusivamente eletrificadas. A versão topo de linha, M50, com sistema híbrido leve (MHEV), já está disponível no Brasil por R$ 624.950. Agora, chegou a vez da híbrida plug-in (PHEV), que tive a oportunidade de testar na Cidade do México. A fabricante estuda o lançamento da opção em nosso país.

Durante evento da marca, pude ver e dirigir diversos modelos do portfólio. E posso dizer que o BMW X3 é o carro que tem uma das maiores grades duplo-rim da linha. No SUV médio, ela cresceu e ganhou até opcional de contorno iluminado.

Apesar de o design depender muito do gosto de cada um, achei que a escolha casa bem com o visual geral do modelo, que tem faróis de LED retilíneos e um capô não tão elevado, o que ajuda na aerodinâmica. Algo que me chamou a atenção foi a saída de escape “escondida” na traseira.

+ Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte

É um carro bonito, com linhas arrojadas e medidas generosas. Na quarta geração, o X3 ficou 3,4 centímetros mais comprido (4,75 metros) e quase 3 cm mais largo (1,92 m). Como resultado, três passageiros se acomodam na segunda fileira sem esforço e, apesar dos meus singelos 1,60 m de altura, posso afirmar que pessoas mais altas não sofrem no SUV, especialmente no que se refere a espaço para joelhos e cabeça.

O tamanho é um dos principais predicados porque o cliente que busca um SUV médio no mercado quer, com certeza, conforto à disposição. Não por menos, também vai ficar satisfeito com o porta-malas de 570 litros. Ou seja, 20 litros a mais do que o antecessor.

Assim como é de se esperar no segmento premium, a lista de equipamentos é recheada. Tem ar-condicionado de três zonas, portas USB-C e um enorme teto panorâmico.

A central multimídia e o painel de instrumentos são interligados em uma grande tela curva, inclinada para o motorista. O sistema da BMW é muito simples de mexer, tem diversas opções de menus e atalhos que deixaram minha vida mais fácil nas caóticas ruas da capital mexicana. Porém, acho demais colocar o head-up display — aquela tela que fica projetada no para-brisa — como opcional. Afinal, não é um carro barato.

Assim que entrei pela primeira vez no X3, fiquei com a mesma impressão que tive em outros carros da marca: o acabamento é bom, a ergonomia é um ponto alto, mas não há nada que “brilhe aos olhos”. Sei que você está pensando que estou sendo prepotente, mas o processo para me tornar jornalista automotiva me possibilitou reconhecer alguns padrões e (sem modéstia) ser chata com determinadas questões. Por isso, digo que assim que você entra em um BMW, sabe que é um BMW. E isso não é necessariamente ruim.

Quando testei o novo BMW X5, há alguns meses, usei a analogia de que a marca mescla a tradição com a modernidade. É, de fato, o que acontece. Claro que recursos premium trazem requinte, como a iluminação ambiente e os bancos com acabamento de couro e aquecimento. Tudo se resume em ser um bom carro, que se propõe a entregar o que promete, ou seja, qualidade. Mas sem tocar muito no disruptivo.

Falando em recursos de segurança, o X3 vem de série com alerta de colisão frontal, bem como assistente de condução com alerta de mudança de faixa e frenagem autônoma de emergência. Entretanto, como uma boa paulista, que vive em uma cidade cheia, com vagas cada vez mais apertadas, o assistente de estacionamento (que tem assistência até de ré) chamou minha atenção pela qualidade e precisão. É, sem dúvida, um dos melhores de toda a indústria.

O X3 ainda oferece uma espécie de manobrista remoto, que possibilita estacionar o carro remotamente usando um aplicativo no celular. Isso significa que o condutor não precisa nem conduzir o veículo, o que torna o X3 um videogame da vida real e deixa um gosto de dúvida sobre até onde a tecnologia se faz necessária no dia a dia.

Outro ponto interessante é que os carros da marca receberam uma atualização que permite “jogar” Google Maps e Waze no cluster. Pode parecer pouco, mas ajudou muito durante o teste. Era minha primeira vez no Valle de Bravo e, sinceramente, os residentes locais são ousados na direção. Então não ter que desviar a cabeça para ficar olhando a multimídia foi uma sacada ótima.

A versão híbrida do novo X3 traz o mesmo conjunto que conhecemos nos Série 3 e 5. Estamos falando de um 2.0 biturbo a gasolina de quatro cilindros aliado a um motor elétrico dianteiro. Juntos, entregam 303 cv e 45,8 kgfm. Ou seja, é uma cavalaria consideravelmente menor em relação ao modelo mais caro, o M50, que oferta 404 cv.

Mesmo assim, os pouco mais de 300 cv são suficientes para empurrar o SUV médio de duas toneladas. Prova disso é que a aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 6,2 segundos.

É uma boa marca para um carro grande, que consegue entregar boas retomadas e todo o torque já em 1.500 rpm. Justamente por causa da progressão nas acelerações, não existe aquela “pancada” que cola as costas do motorista no banco, nem mesmo no modo Sport, que deixa o carro com um comportamento mais arisco.

Mais do que um carro que anda bem, o BMW X3 tem direção muito equilibrada e macia, com trocas de marcha suaves. Prioriza o conforto, assim como o conjunto de suspensão, que entrega estabilidade exemplar ao modelo. Um ponto negativo é que, na cabine, eu ouvi bastante o ruído dos pneus, o que mostra que o isolamento acústico poderia ser melhor.

Lembrando que o BMW X3 é equipado com baterias de 19,7 kWh, que entregam autonomia elétrica de 90 km no ciclo WLTP.

Anteriormente, comentei sobre as linhas arrojadas. Pois bem, elas (e a redução de 2 cm na altura) ajudaram o X3 a chegar ao coeficiente de arrasto de 0,27, excelente para um SUV. Tudo isso contribui para o consumo. Mesmo com a bateria vazia, o SUV é capaz de fazer quase 15 km/l no ciclo europeu.

Embora a marca não confirme, existem chances de o SUV médio ser vendido no Brasil e, inclusive, produzido em Araquari (SC), ao lado do irmão X5. Mas, como eu já disse algumas vezes nesse teste, tudo é um processo. E parece que a BMW está “mexendo os pauzinhos” para se manter firme no presente e no futuro da indústria. Afinal, logo mais virá o novo iX3 usando a moderníssima plataforma Neue Klasse.

Pontos positivos: Equilibra desempenho e conforto; conjunto de telas é de última geração
Pontos negativos: Alcance elétrico é pequeno, na comparação com rivais chineses

Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital.

Fonte: direitonews

Anteriores Advogado é pr3s0 no Sertão de Pernambuco após enviar vídeo ínt1m0 para filha adolescente
Próxima Postos ligados ao PCC tinham bombas fraudadas e combustível adulterado, diz MP-SP