3 testes históricos e secretos de Autoesporte jamais publicados (até hoje)


Sabe aquele meme da história de um sonho em que deu tudo errado? Ele serve bem a pelo menos três testes de Autoesporte feitos nos anos 1990. Apesar de tudo ter sido produzido, eles nunca foram publicados. Por que será?

Fãs de teorias da conspiração ficarão decepcionados, mas a verdade é que tudo se resume a espaço. Se antigamente a produção de material era relativamente mais simples (mas não menos elaborada), sem tantas ramificações como site, YouTube, Instagram, TikTok etc., por outro lado havia apenas as páginas em papel para mostrá-lo.

Por questões de prazo e custo, toda revista tem o número de páginas preestabelecido. Na época, boa parte delas era ocupada por seções fixas: entrevistas, cartas, colunas, automobilismo, tabelas de preços e por aí vai. Nos testes, a prioridade eram os lançamentos.

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Mas, então, por que produzir material a mais se geralmente faltava espaço? Pela própria dinâmica do jornalismo e da produção de uma revista, que ocorre no mês anterior ao da publicação. Assim como um segredo podia tomar de última hora as páginas destinadas a um teste, poderia acontecer de um carro não ser lançado no prazo estimado — e não dá para uma revista chegar às bancas com páginas em branco.

Assim, sempre foi melhor ter material sobrando do que faltando. Em resumo, se hoje há espaço quase infindável nos sites e nas redes sociais, na década de 1990 tudo que tínhamos, para azar desses três casos, pelo menos, era a própria revista.

Os textos da época se perderam, mas as fotos preservadas no acervo do Miau, o Museu da Imprensa Automotiva, ajudam a contar essa história. Vamos aos detalhes.

Em junho de 1995, Autoesporte testou a Fiorino Trekking, apresentada como série especial. O material foi agendado para a edição do mês seguinte, mas logo depois a Fiat lançou o Mille EP, que se tornou o destaque da capa. Para assegurar a pluralidade de modelos e marcas evitava-se dar muito destaque a uma única linha de produtos na mesma edição. Como a Fiorino era a picape do Uno, perdeu a queda de braço.

Aí surgiu o dilema: se é uma série especial, logo esgota nas lojas. Então a equipe optou por transformar o teste em uma curta nota, sem os números aferidos. O mais irônico é que a edição Trekking acabou virando versão oficial, ficando no catálogo até a Fiorino sair de linha, em 1998.

É bem verdade que esses casos ocorreram há mais de 30 anos. Porém, como uma espécie de justiça histórica, aqui está, finalmente publicada, ao menos uma parte desses materiais. Antes tarde do que nunca, não é mesmo?

Em julho de 1990, Autoesporte produziu um comparativo entre os sedãs da Autolatina. Enquanto esse trabalho era desenvolvido, a edição nas bancas trazia um teste solo com o Apollo GLS, que era lançamento. Não tinha como deixar de fazer no próprio texto alguma comparação com o Verona, mesmo sem mergulhar nos detalhes. Nos meses seguintes, uma enxurrada de importados e a briga de Senna pelo bi na F1 tiveram a primazia do espaço, e o comparativo ficou na “gaveta” (no jargão jornalístico), esperando a vez.

Em setembro veio o lançamento do Apollo GL, versão de entrada do VW. Para a revista não ficar mostrando todos os meses os mesmos carros, o comparativo continuou a ser protelado. Aí passou tanto tempo que deixou de ser novidade, e como a comparação chegou a ser abordada no primeiro teste do Apollo, todo o material acabou sendo descartado.

Esse comparativo foi produzido em maio de 1994, quando a edição do mês trazia na capa a disputa Omega Diamond x Tempra Turbo, além de um teste com a própria Quantum GLSi, que acabava de chegar. Mais uma vez, para não repetir quase que os mesmos carros logo na edição seguinte, a publicação desse material foi deixada para julho ou agosto.

No entanto, nesse meio-tempo a equipe de Autoesporte descobriu que os Omegas ganhariam novos motores, enquanto a Suprema do comparativo ainda era 2.0. De fato, Autoesporte já daquele mês de outubro trazia o teste dos novos Omega 4.1 e 2.2, enterrando qualquer chance de publicação do comparativo das “peruas”.

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Fonte: direitonews

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